Monumento presta homenagem aos mortos e desaparecidos na ditadura

31/08/2015

cdcn

Resgatar e memória, restabelecendo a verdade e a justiça. Este foi o lema compartilhado pelo público presente ao ato de inauguração nesta sexta-feira (28), em Salvador, do monumento em homenagem aos mortos e desaparecidos no período da ditadura militar no Brasil. O ato, realizado na Praça Campo da Pólvora, foi uma iniciativa do Governo do Estado, Comitê Baiano pela Verdade (CBV), com apoio da Fundação Gregório de Mattos. O governador foi representado pelo secretário da Casa Civil, Bruno Dauster, no evento que também contou com a presença da titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Vera Lúcia Barbosa.

Falando em nome do Comitê Baiano pela Verdade (CBV), o professor e militante Joviniano Neto ressaltou que a ação do governo do Estado foi fundamental para a justa homenagem e o reconhecimento aos que lutaram em favor da democracia e da liberdade. “Este evento é parte da Semana da Anistia, exemplo de articulação entre sociedade civil e poder público na construção de uma política em comum. A história anda devagar, mas avança no sentido da luz e da verdade. Este é um monumento à verdade”, disse, lembrando outras demandas como a criação de memoriais na Penitenciária Lemos Brito e no Forte do Barbalho, considerados centros de repressão política na Bahia, além da Casa de Mariguella.

O secretário da Casa Civil explicou que a iniciativa de apoiar a criação do monumento no Campo da Pólvora foi uma decisão de governo, com o objetivo de resgatar a história. “Preservar a memória é fundamental. Ninguém que tenha vivido um processo de ditadura, por exemplo, pode admitir a defesa da ruptura democrática”, disse Bruno Dauster para os presentes, entre eles ativistas de movimentos sociais e de defesa dos direitos humanos.

A secretária da Sepromi, Vera Lúcia Barbosa, reforçou que “é importante garantir efetivar a justiça, assim como o reconhecimento às pessoas, movimentações e marcos históricos que aconteceram no processo de defesa da liberdade”. Juntamente com outras autoridades e convidados, ela acompanhou o descerramento da obra, que teve a concepção do artista plástico Ray Vianna. Com quatro metros de altura, a peça está instalada nas proximidades da estação de metrô e do Fórum Ruy Barbosa.

A Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS) foi representada pela superintendente Anhamona de Brito. Também estiveram presentes os familiares e amigos dos homenageados, entre eles Carlos Mariguella Filho e Diva Santana, uma das fundadoras do Grupo Tortura Nunca Mais na Bahia e conselheira da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, criada pela Lei Federal 9.140/95.