
A titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi), Vera Lúcia Barbosa, participou, nesta quarta-feira (10), de uma celebração cigana, no município de Camaçari, destacando as contribuições do segmento para cultura baiana e brasileira, assim como a necessidade do respeito aos povos e comunidades tradicionais.
“Só vamos combater o preconceito, de fato, por meio de ações educativas e conscientização da sociedade. Foi neste sentido que realizamos, no último mês de maio, um seminário sobre esse segmento no Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, que é vinculado a nossa pasta”, disse.
Ao prestigiar pela primeira vez um casamento de jovens ciganos, na ocasião, a gestora enfatizou ainda a importância de se estar “próximo para conhecer a realidade e elaborar políticas públicas direcionadas”.
A noiva, de vestido branco e adereços típicos do segmento, e o noivo, de óculos escuros, foram recebidos por diversos familiares, amigos e representantes da prefeitura municipal com a música ‘Parabéns para Você’, fogos e ‘chuva’ de papel metalizado, dançando em seguida ao ritmo de arrocha e música sertaneja.
Tradição
Também presente no evento, o cigano Jucelho Dantas, doutor em Ciências Biológicas, destacou a importância da presença do Estado na celebração, pela primeira vez, em consideração a esse povo específico, e explicou que por muito tempo os casamentos do segmento eram “arranjados” pelos pais, mas que nos últimos anos isso tem diminuído, possibilitando que a decisão seja dos cônjugues.
A mãe da noiva, Juci Dantas, disse que o casamento foi por consentimento. “Estou muito emocionada, pois é o sonho de toda mãe ver sua filha se casar; a nossa diferença é a grandiosidade da festa, com muitas pessoas da família”, que começou ontem (09) e vai até amanhã (11), quando será realizada uma feijoada no lar do casal.
No entanto, segundo a liderança cigana do município, Gilson Dantas da Cruz, as festas de casamento duravam mais, por volta de 8 dias. Ele informou ainda que existem 400 famílias ciganas em Camaçari, o que corresponde a cerca de 1600 pessoas.
História
Segundo o professor Jucelho, o preconceito com os ciganos já foi muito mais forte, porque até pouco tempo eram nômades, em sua grande maioria. Eu só fui tirar a minha certidão de nascimento com 15 anos, quando também comecei a estudar. O estereótipo era tanto que os próprios ciganos internalizavam”, disse.
Ele informou ainda que os ciganos migraram da Índia para Europa, de onde se espalharam pelo mundo. No Brasil, chegaram em 1574. Sua principal atividade econômica era a compra e venda de animais, o que mudou ao longo do tempo, como eletrodomésticos e carros. “São muito versáteis. Se adaptam às condições que são oferecidas”, explicou.
Dia do Cigano
O Dia Nacional do Cigano foi instituído em 25 de maio de 2006 por meio de decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em reconhecimento à contribuição da etnia cigana na formação da história e da identidade cultural brasileira. No calendário cigano, o dia 24 de maio é dedicado a Santa Sara Kali, padroeira dos povos ciganos.
A data também é um momento de reflexão acerca da sua histórica dificuldade de acesso a políticas públicas, reconhecimento e incentivo à integração deste segmento tradicional da população. “O reconhecimento dos ciganos no então governo Lula melhorou a autoestima do segmento. E, a partir disso, começamos a participar de vários encontros na Bahia e no Brasil”, concluiu o professor Jucelho.