
Nesta terça (11) e quarta-feira (12) cerca de 70 mil mulheres trabalhadoras rurais e outros segmentos sociais do país movimentaram a cidade de Brasília (DF), na quinta edição da Marcha das Margaridas. Foi um momento de pautar a necessidade de melhorias para a vida do povo do campo, incluindo o combate à pobreza, o enfrentamento à violência contra as mulheres, a defesa da soberania alimentar e nutricional e a construção de uma sociedade sem preconceitos, sem homofobia e sem intolerância religiosa. A mobilização é, também, uma homenagem à líder sindical paraibana Margarida Alves, assassinada há 32 anos, exatamente em 12 de agosto.
Mulher negra e conhecedora das dificuldades das famílias rurais, Margarida Alves é considerada a primeira mulher a lutar pelos direitos trabalhistas no estado da Paraíba durante a ditadura militar. No município de Alagoa Grande ela nasceu e iniciou sua militância, tendo presidido o Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR), onde defendeu pautas importantes para o segmento em todo o país, como o registro em carteira de trabalho, a jornada de 8 horas de trabalho diário, 13° salário, férias e demais direitos para os trabalhadores do campo.
Em seu discurso na comemoração do Dia do Trabalhador, em 1º de maio de 1983, Margarida denunciou que vinha recebendo ameaças de morte e proferiu a sua frase mais famosa: ‘É melhor morrer na luta que morrer de fome’. Outra frase emblemática, no mesmo discurso, foi “da luta eu não fujo”, que está gravada em umas das paredes da antiga casa de Margarida Alves, que se transformou em museu em 2001.
Celebrando a memória de Margarida Alves, exemplo de resistência e protagonismo, a Sepromi presta suas homenagens às tantas Margaridas brasileiras e baianas, às mulheres negras e trabalhadoras rurais, mulheres da cidade e do movimento sindical. Por uma vida sem violência, com igualdade social e racial, garantia de direitos e fortalecimento da democracia.
Salve Margarida Alves.
Salve a Marcha das Margaridas.
Secretaria de Promoção da Igualdade Racial da Bahia – Sepromi