A Universidade do Estado da Bahia (UNEB) renovará sua participação na Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa. O assunto foi discutido na tarde de ontem (4), em Salvador, durante reunião realizada entre a titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Vera Lúcia Barbosa e o reitor da instituição de ensino, José Bites de Carvalho. Um Termo de Adesão deverá ser assinado entre as partes, nos próximos dias, formalizando a permanência da UNEB no colegiado, composto por mais de vinte organizações do poder público, Sistema de Justiça e da sociedade civil.
A secretária da Sepromi destacou que as contribuições da UNEB são imprescindíveis na construção e execução de políticas raciais, além do empoderamento da comunidade negra. “Queremos ampliar o diálogo com a UNEB pelo papel que a instituição desempenha na sociedade e sua grande participação no processo de desenvolvimento da Bahia”, disse Vera Lúcia Barbosa, ressaltando, ainda, o pioneirismo de criação da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas (Proaf), ano passado. A instância acadêmica abarca políticas estudantis para populações negras, os segmentos indígenas, de mulheres, comunidade LGBT, pessoas com deficiência, dentre outros grupos vulneráveis.
O reitor da UNEB colocou que o diálogo com a Sepromi e as iniciativas voltadas à promoção da igualdade racial terão reforço. “Queremos aprimorar e avançar nas parcerias”, afirmou Bites, pretendendo, inclusive, interiorizar as iniciativas para toda a área de abrangência da instituição, através de 29 departamentos sediados na capital e 24 centros regionais de médio e grande portes.
Durante o encontro também foram discutidas estratégias para permanência dos estudantes negros e indígenas na Universidade, formação de professores nas temáticas ligadas à questão racial, além da implementação da lei federal 10.639/2003, que determina a introdução da história e cultura afro-brasileiras nas práticas educacionais. O reitor informou, ainda, que neste ano deverão ser iniciadas as atividades do Programa de Formação de Professores nas Comunidades Quilombolas. Além disso, comunicou que uma campanha permanente de combate ao racismo institucional será desenvolvida no âmbito acadêmico, incluindo a realização de eventos, trabalho de sensibilização, conferências, dentre outras ações.
Sistema de cotas – A UNEB foi pioneira, em 2002, na criação de um sistema de cotas para afrodescendentes, o que passou a ser seguido por instituições de ensino superior em todo o país. Hoje, mais de 140 universidades adotaram o modelo de cotas, reconhecido pelo STF e com obrigatoriedade assegurada em lei. No processo de redimensionamento curricular da UNEB existe, segundo o reitor Bites, a perspectiva de inclusão de temáticas relacionadas a questões étnico raciais, o que estimulará o debate e a permanência de estudantes cotistas no ambiente acadêmico.
