Luiza Mahin é absolvida em júri popular após 181 anos da Revolta dos Malês

23/11/2016
Mulher negra, com participação nos principais movimentos baianos pelo fim da escravidão, a exemplo da Revolta dos Malês (1835) e Sabinada (1837-1838), Luiza Mahin foi destaque no lançamento da série Júri simulado - releitura do Direito na História, da Defensoria Pública do Estado (DPE). Nesta quarta-feira (23), a personalidade foi interpretada por Valdineia Soriano, do Bando de Teatro Olodum, que emocionou o público com sua defesa no teatro da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), no bairro do Cabula, em Salvador. “Não sei do que me acusam, mas não podem me acusar do racismo, do apartheid, da intolerância religiosa, da covardia, do egoísmo e da omissão à trágica realidade. Eu não tenho que provar a minha inocência. Quem acusa é quem deve provar a culpa”, afirmou, pausadamente, no palco.

Segundo o subdefensor público geral do Estado, Rafson Ximenes, a atividade foi pensada a partir de diálogo com a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), no processo de construção da programação do Novembro Negro, mês emblemático da luta antirracista, com diversas mobilizações em todo o país. “A população baiana tem pouco conhecimento sobre a sua história e, principalmente, das lideranças nas quais podemos nos identificar e orgulhar. Historicamente, personagens que defenderam a ampliação de direitos, como Luiza Mahin, foram criminalizados e oprimidos pelo sistema penal. Então queremos fomentar esse debate na sociedade e resgatar os direitos daqueles que não tiveram a oportunidade de voz à época”, disse.

A titular da Sepromi, Fabya Reis, parabenizou a DPE pela iniciativa, “que recupera o esforço do movimento negro feminista em visibilizar os nossos heróis e heroínas negras, na luta pela liberdade e igualdade de direitos, com grande contribuição no desenvolvimento da Bahia”. Também destacou a importância da ação para a efetivação da Lei 10.639, que torna obrigatório o ensino da África. Na ocasião, defensores públicos representaram os papéis do juiz (Maurício Saporito), da acusação (Soraia Ramos) e da defesa (Raul Palmeira). Os jurados foram sorteados na plateia. Encerrando o simulado, a secretária de Política para as Mulheres, Olívia Santana, contextualizou a história de Luíza Mahin e da Revolta dos Malês.

Também estão envolvidos na coordenação do projeto, junto ao subdefensor público geral do Estado, Raul Palmeira - que durante muitos anos atuou no Júri, e Eva Rodrigues - subcoordenadora da Especializada de Direitos Humanos. A agenda completa do mês da consciência negra pode ser conferida AQUI.

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