Artigo: Novembro Negro de resistência e protagonismo histórico

24/11/2016
Um Novembro Negro do tamanho da Bahia. Assim temos caminhado ao longo do mês da consciência negra, com reconhecimento à luta daqueles que nos antecederam na resistência e reivindicação de um país com igualdade racial. Reverenciando, principalmente, a memória de Zumbi dos Palmares, líder quilombola que atuou pela libertação do povo negro escravizado no Brasil. Marcharemos, sempre, pela afirmação da nossa identidade e propagação dos ideais de Zumbi.

Um conjunto de outros heróis e heroínas negras liderou um processo revolucionário pouco tratado pelos livros de história. Por isso o Novembro Negro resgata o legado dos mártires da revolução. Desde o último dia 8, quando lotamos o Teatro Castro Alves para saudar os líderes negros da Revolta dos Búzios: Manuel Faustino, Lucas Dantas, João de Deus e Luís Gonzaga, executados em 1799, após o levante que defendia um regime republicano de igualdade e sem opressão. Cabe o registro, ainda, da participação de Luiza Francisca de Araújo, Lucrecia Maria, Domingas do Nascimento e Ana Romana neste capítulo do passado.

Ontem vivemos outro rico momento, em Salvador, de releitura da história, através do julgamento simulado de Luíza Mahin pelo seu envolvimento na Revolta dos Malês. Após 181 anos, uma reparação a uma grande líder, que conseguiu comprar a própria liberdade e lutou contra a escravidão. A Defensoria Pública, em parceria com a Uneb, fez um justo reconhecimento à mãe do poeta e abolicionista Luiz Gama.

O Novembro Negro é, portanto, oportunidade de reavivar frentes de resistência históricas. De destacar personagens que muito somaram no enfrentamento ao racismo. Martin Luther King é outro exemplo, um dos mais importantes líderes do movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. Steve Biko, que combateu o apartheid da África do Sul, mobilizou e influenciou muitos jovens à luta pela liberdade. Nelson Mandela, considerado o mais importante líder africano, também merece nossa reverência.

Na historiografia não faltam, pois, homens e mulheres que vislumbraram uma sociedade sem racismo, longe de políticas segregacionistas. Dandara, Tereza de Benguela, Maria Felipa e Zeferina são parte de outro importante grupo, verdadeiros ícones do feminismo negro. Lélia Gonzalez, Abdias Nascimento, Carlos Limeira e Luiza Bairros também estão na esteira das referências da luta negra.

Podemos dizer, assim, que Novembro Negro é inspiração, é sempre um novo levante. Caminhamos à luz de quem antecedeu a luta. De mãos dadas com a juventude e na deferência aos ancestrais. Aos povos que nos ensinam, o nosso respeito. Em marcha pela defesa das conquistas dos povos tradicionais. Na resistência negra, nenhum direito a menos!

Fabya Reis
Secretária de Promoção da Igualdade Racial do Estado da Bahia
fabya.reis@sepromi.ba.gov.br

Artigo publicado no Jornal A Tarde desta quinta-feira (24)