Lideranças discutem enfrentamento ao racismo e defesa das religiões de matriz africana

28/11/2016
Lideranças religiosas de diversas regiões do estado estiveram reunidas neste sábado (26), na capital baiana, discutindo estratégias de enfrentamento ao racismo e à intolerância religiosa, articulando, também, o combate às propostas de proibição do uso de animais nos rituais das religiões de matriz africana. A atividade foi organizada pela sociedade civil, sob coordenação do Táta Ricardo Tavares, do Terreiro de Lembá (Camaçari), e Mãe Jaciara Ribeiro, do Abassá de Ogum (Salvador), em parceria com outras casas de candomblé.

Táta Ricardo ressaltou que os terreiros da Bahia permanecerão lutando contra todas as formas de violência e cerceamento do direito da liberdade de culto. “Se não fôssemos unidos, o racismo e a intolerância já tinham matado a todos nós, o povo de candomblé. Essa luta não é somente nossa, mas de quem chegou antes da gente”, afirmou, lembrando da característica de cultura ancestral presente na religião. O Táta ressaltou, ainda, a importância das campanhas e mobilizações para a defesa dos direitos dos religiosos de matriz africana.

O encontro reuniu, além de terreiros de Salvador e Camaçari, lideranças de Santo Amaro, Cruz das Almas, Inhambupe, Feira de Santana e Juazeiro, bem como de outros estados brasileiros. Também participaram membros de entidades representativas, da Ouvidoria da Defensoria Pública do Estado, conselhos de direito, Comissão de Combate à Intolerância da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-BA), dentre outras instituições.

“O povo negro e de candomblé construíram toda a riqueza material e imaterial do nosso país. Nosso papel é fazer justiça, reconhecer, visibilizar estes segmentos e suas contribuições. O que temos hoje de políticas públicas e conquistas são fruto da luta de um povo que se manteve em marcha, altivo ao longo da história. Continuaremos nosso trabalho de combate às violações de direitos dessa população”, afirmou a titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Fabya Reis.

A secretária destacou, ainda, os instrumentos legais e equipamentos para a defesa do povo negro, a exemplo do Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa e do Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, este último localizado na Avenida Sete de Setembro, centro de Salvador, com apoio social e jurídico às vítimas. O espaço também possui biblioteca especializada e encontro periódicos de formação e debates sobre as questões étnico-raciais.