Centenário de Mestre Didi é celebrado com lançamento de documentário

01/12/2017
Representantes de religiões de matriz africana, do movimento negro, historiadores e artistas lotaram a Sala Walter da Silveira, na Biblioteca dos Barris, em Salvador, para o lançamento do documentário que celebra o centenário de Deoscóredes Maximiliano Dos Santos, o Mestre Didi, uma das figuras mais importantes e influentes para a arte e a cultura afro brasileiras. Dirigido por Emilio Le Roux, Hans Herold e Silvana Moura, 'Alápini, A Herança Ancestral De Mestre Didi Asipá' revive a história do sacerdote através das memórias e relatos de sua família e de pessoas que conviveram com ele.

Para Silvana Moura, num momento em que a intolerância religiosa continua viva, a história de luta Mestre Didi ganha ainda mais força. "Ela tinha a visão de que os negros não deviam baixar a cabeça para ninguém e passava isso para os mais jovens e as crianças, com uma luta constante contra a intolerância e o preconceito. Ele era um poço de sabedoria, não apenas nas questões religiosas, mas ele era também um artista incrível, era escritor, escultor, tinha um afoxé, fazia canções, escreveu o primeiro dicionário de português e iorubá do Brasil. Foi, em minha opinião, um dos homens mais importantes do século".

Com apoio do edital Agosto da Igualdade, da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi), o documentário lançado na quinta-feira (30), integra o conjunto de ações em comemoração ao centenário do 'artista-sacerdote'. "No sábado [2 de dezembro], dia do nascimento de Mestre Didi, o Governo do Estado irá promover duas grandes ações para marcar essa data tão importante. O tombamento do Ilê Assipá e a nomeação do viaduto da Orlando Gomes em homenagem ao Mestre Didi. Reverências a essa figura tão importante e de reconhecimento na Década Internacional Afrodescendente", explicou titular da Sepromi, Fabya Reis.

A nomeação do viaduto acontece no equipamento viário construído na Avenida Orlando Gomes, em frente ao Senai/Cimatec, às 14h, com descerramento de placa de homenagem.Em seguida, acontece a cerimônia de tombamento do Ilê Asipá, comunidade religiosa fundada pelo sacerdote em 1980, realizada pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), órgão vinculado à Secretaria de Cultura do Estado (Secult), na rua da Gratidão, nº 8, em Piatã,onde ocorrerá o tombamento.

A filha de Mestre, Nidia Maria dos Santos, ressaltou a importância das atividades. "É uma homenagem legal, e fico feliz que as pessoas estejam lembrando e celebrando a memória dele. É importante que os jovens tenham acesso e possam conhecer mais sobre a vida que ele levou e a importância que eu deu para a nossa cultura."

Sobre Mestre Didi - Artista plástico, escritor e sacerdote supremo do culto à ancestralidade no Brasil e na África, Mestre Didi foi um difusor da cultura baiana. com uma vasta obra influenciada pelas tradições do candomblé, o Alápini do terreiro Ilê Asipá ajudou a encurtar distancias e fortalecer os laços entre a cultura da Bahia e do continente africano. Em suas obras ele difundiu costumes, línguas, estéticas, literatura e mitologia dos povos africanos, principalmente a religião, aprofundando o conhecimento dos alunos sobre as influências dessa cultura na formação nacional brasileira.

Fonte: Secom-BA / Repórter: Tacio Santos

Fotos: Ascom Sepromi