Revolta dos Búzios é lembrada em mobilizações na capital

11/11/2019
Um conjunto de mobilizações aconteceu em Salvador nesta sexta-feira, 8 de novembro, dia marcado pela execução, há 220 anos, dos líderes da Revolta dos Búzios: Manoel Faustino, Lucas Dantas, Luís Gonzaga das Virgens e João de Deus. O levante, ocorrido na Bahia, é considerado um dos mais amplos da luta social e defendia a proclamação da República, o fim da escravidão, a redução de impostos, além de outras pautas reivindicatórias.

Na Assembleia Legislativa da Bahia a sessão especial intitulada "Heróis da Pátria" reuniu ativistas, pesquisadores, artistas, estudantes e autoridades baianas. A titular da Sepromi, Fabya Reis, representou o governador Rui Costa no evento. Na ocasião uma série de lideranças e personalidades da luta racial foi homenageada, a partir da proposta do deputado Jacó e da deputada Fabíola Mansur.

À tarde, também em Salvador uma caminhada saiu da Praça da Piedade em direção à Câmara Municipal, antiga sede da Cadeia Pública, simbolicamente trazendo de volta a memória desses mártires. A caminhada foi uma promoção do Fórum de Entidades Negras da Bahia com apoio da Sepromi.

A Câmara Municipal, à tarde, também foi palco de sessão especial, desta vez proposta pela vereadora Marta Rodrigues. À noite, no Pelourinho, músicos do Olodum percorreram as ruas do bairro em homenagem aos heróis da Revolta dos Búzios, arrastando diversos turistas e a baianos.

“Esta série de realizações é, sem dúvidas, um resgate histórico das contribuições dos heróis de Búzios na busca da liberdade ao povo negro. Trata-se de um reconhecimento mais que necessário, uma vez que os livros didáticos, em geral, não tratam de temas raciais na medida justa, no tamanho do significado destes fatos históricos”, pontuou a titular da Sepromi, Fabya Reis, presente nos atos.

A Revolta
- Deflagrada em agosto de 1798, na forma de panfletos que convocavam o “Povo Bahiense” a lutar pela liberdade, igualdade e fraternidade, a Revolta dos Búzios (ou Revolta dos Alfaiates) culminou com o enforcamento dos quatro homens, um ano após e justo num 8 de novembro, na Praça da Piedade. Além de enforcados, eles tiveram os corpos esquartejados e expostos em locais públicos da cidade.

*Com informações da ALBA.