21/02/2024
Ao brado de “Sou da Bahia de Caetano e Gil, se você quiser pode chegar também!”, o Malê Debalê ganhou à passarela Carnavalesca do Circuito Osmar no Campo Grande, na noite desta segunda-feira (12). Fazendo reverência às riquezas do nosso Nordeste com a realeza do seu desfile.
Com o tema “O que é bom o Nordeste tem!”, trazendo em suas alas a história, culinária e cultura representadas, o bloco desfilou colocando cerca de 1500 associados para bailarem. E convergindo todos esses elementos com os seus tambores, e o gingado do seu balé afro, o bloco transmitiu a história do povo nordestino.
O diretor presidente do bloco, Cláudio Araújo, 47 anos, explicou a escolha do tema. “O Malê Debalê é visionário! Ele é pautado na Revolta dos Malês. Então, nós temos a obrigação de falar de temas que refletem a nossa negritude”, afirmou Cláudio. O presidente aproveitou a oportunidade para agradecer ao apoio recebido este ano, através do Edital Ouro Negro 2024. “Estamos felizes com a política cultural que Bruno Monteiro, que é um Secretário de Cultura visionário, vem fazendo. A exemplo do Ouro Negro, que hoje tem uma extensão, uma elasticidade que eu sempre sonhei enquanto presidente”, disse Cláudio sobre ter conseguido colocar nove grandes alas, cada uma representando um elemento da cultura nordestina.
Uma das alas fez referência à Tia Ciata, Maria Lúcia no auge dos seus 75 anos, seguiu dançando. Ela contou que foi princesa do Malê no Carnaval de 2023, pois ficou em segundo lugar no concurso de rainha “Eu já tenho mais de 30 anos desfilando. O Malê Debalê é luta resistência e ancestralidade, e a gente não pode desistir!”, disse Dona Maria sobre o combustível para desfilar todos os anos.
O bloco nativo do bairro de Itapuã, ainda desfila nesta terça-feira (13) no carnaval de Salvador, no circuito Dodô.
Carnaval Ouro Negro 2024 - O Carnaval da Bahia é Ouro Negro. Em 2024, foram investidos R$15 milhões para proporcionar o apoio a mais de 170 grupos dos segmentos afro, afoxé, samba, reggae e de índio. Só no carnaval de Salvador são mais de 100 entidades que desfilam nos circuitos oficiais da folia. Entre as entidades contempladas estão grupos tradicionais como o Olodum, Ilê Aiyê, Filhos de Gandhy, Muzenza e Cortejo Afro. A Sepromi e a SecultBA amplia sua parceria com blocos tão importantes com o intuito de preservar a tradição destes na folia soteropolitana e nas suas comunidades de origem, valorizando as nossas matrizes africanas.