Bloco afro "Ginga do Negro" traz resistência feminina para o circuito Batatinha

21/02/2024
O bloco afro ‘Ginga do Negro’ desfilou na segunda-feira (12) de carnaval no circuito Batatinha. Com mais de 400 pessoas compondo o desfile, seguiram até o Largo da Praça. O movimento possui 20 anos de história e carrega a filosofia de valorizar a cultura negra e reforçar o legado dos povos quilombolas e de terreiros de candomblé na sociedade brasileira.

Com uma diretoria composta só por mulheres, o bloco encabeça a resistência feminina, pautando o poder da mulher nas comunidades. “Desde sempre são as mulheres que vem trazendo sustento para família, seja emocional ou material, a mulher é mais forte do que pensa. E estamos aqui para trazer essa consciência”, destacou Edna Rodrigues, designer do bloco.

A sede do bloco fica no Centro Histórico de Salvador, mas o grupo nasceu no bairro do Barbalho e é liderado por uma mulher negra de 73 anos, artística plástica, Rose Mafalda. “Entregamos a diretoria às mulheres porque acreditamos no potencial da mulher”, destacou Rose Mafalda, presidenta.  Foi o segundo dia de desfile do bloco, que no sábado, se apresentou no sentido contrafluxo, do circuito Osmar e finalizou suas apresentações nesta segunda de carnaval.

O Bloco homenageou orixá Oxóssi, considerado o rei da fartura e senhor das matas. Para Mafalda, a fartura está em pauta nesse desfile, pois as mulheres além de movimentar as emoções na família, atuam fomentando a prosperidade e riquezas, destacou com firmeza, confiança e fé. O movimento cultural segue fortalecendo a identidade étnica e a autoestima do povo negro. Seu ritmo musical remete às festas dos terreiros de Candomblé, com muita  muita dança e expressão artística.

Carnaval Ouro Negro 2024 - O Carnaval da Bahia é Ouro Negro. Em 2024, foram investidos R$15 milhões para proporcionar o apoio a mais de 170 grupos dos segmentos afro, afoxé, samba, reggae e de índio. Só no carnaval de Salvador são mais de 100 entidades que desfilam nos circuitos oficiais da folia. Entre as entidades contempladas estão grupos tradicionais como o Olodum, Ilê Aiyê, Filhos de Gandhy, Muzenza e Cortejo Afro.  A Sepromi e a SecultBA amplia sua parceria com blocos tão importantes com o intuito de preservar a tradição destes na folia soteropolitana e nas suas comunidades de origem, valorizando as nossas matrizes africanas.