Identidade e representatividade são marcas do Ilê Aiyê nos foliões do bloco

23/02/2023
Depois do ritual de saída do Curuzu e do seu desfile pela Avenida Lima e Silva - Circuito Mãe Hilda na Liberdade, o Mais Belo dos Belos, Bloco Afro Ilê Aiyê desfilou no Circuito Osmar na madrugada de sábado para domingo. Hoje, segunda-feira (20) de carnaval o bloco retorna ao Campo Grande para sua segunda noite de desfile no Carnaval.

A cada ano o Ilê escolhe em concurso a sua deusa que vem em destaque no carro esbanjando altivez, beleza em movimentos de dança, característico do bloco. Neste ano, o Ilê Aiyê será representado pela dançarina e coreógrafa Dalila Santos de Oliveira, de 20 anos. “Uma realização muito grande, uma vitória, depois de dois anos, a gente voltar com toda força para fazer o melhor dos melhores carnavais”, afirma emocionada a rainha do Ilê Aiyê, Dalila Santos.

Com 39 anos de desfile no Ilê, a auxiliar de nutrição, Darci da Purificação, 62 anos, não via a hora de voltar a desfilar no bloco, que para ela é uma renovação simbólica a cada ano. “É muito emocionante, eu saio desde juvenil e quem começa a sair é muito difícil não continuar. É uma comunidade, pois quando entramos no bloco você se identifica totalmente”, conta emocionada que no próximo ano completará 40 anos de desfile no Ilê.

Para ela, uma mulher preta, além da identificação o Ilê resgatou a autoestima do povo preto. “Hoje as pessoas podem viver e se assumir, não terem vergonha de serem negras. Passaram a se profissionalizar, estudar, se arrumar mais. Viver melhor e educar melhor seus filhos”, exalta o poder do bloco e a revolução que fez e faz na vida de negros e negras da Bahia.

Com apoio do Programa Carnaval Ouro Negro 2023 o Ilê Aiyê veio, dois anos após a pandemia de Covid-19, prestando homenagem ao escritor e político angolano Agostinho Neto, presidente do Movimento Popular de Libertação de Angola, que faleceu 1979. Para o pintor Paulo Félix, 55 anos, morador do Nordeste de Amaralina, a pandemia deixou ele com muita saudade de desfilar no bloco. “Voltamos com tudo! Tava com muita saudade, pois o Ilê está no sangue, é a nossa segunda pele”, diz Félix na concentração minutos antes de iniciar o desfile.

Na terça, os tambores da banda Aiyê retornam a animar os foliões com a Pipoca do Ilê, de forma independente.   

Carnaval Ouro Negro 2023 - O Carnaval da Secult conta ainda com 63 grupos dos segmentos afro, afoxé, samba, reggae e de índio contemplados pelo Carnaval Ouro Negro 2023, que desfilarão nos outros circuitos da folia. Entre eles, estão grupos tradicionais como o Olodum, Ilê Aiyê, Filhos de Gandhy, Muzenza e Cortejo Afro.  A pasta fez um investimento histórico no Carnaval Ouro Negro 2023, destinando R$ 7,6 milhões ao edital, com o intuito de preservar a tradição destes blocos na folia soteropolitana.