21/02/2024
A rua Carlos Gomes, que antes integrava o percurso do Circuito Osmar, atualmente é passarela para os blocos que desfilam no contrafluxo, partindo da Rua Chile em direção ao Campo Grande. Entre as entidades que passam por esse circuito estão blocos afro, afoxés e manifestações culturais e populares que garantem a diversidade da folia.
Ana Célia, professora, que há 36 anos mora na rua Carlos Gomes, relembra os antigos carnavais: “Esse circuito é histórico e no passado era bem cheio, os blocos que saíam do Campo Grande, davam a volta na Praça Castro Alves e passavam aqui”, relembra.
Atualmente, o circuito é mais tranquilo e destinado a blocos de matriz africana e raiz negra. O Afoxé Templo dos Orixás abriu o desfile desta sexta-feira (9) homenageando Iroko, orixá do Tempo, representado pela árvore gameleira. Oriundo do bairro de Dom Avelar, o afoxé foi fundado por Ederilda de Almeida, conhecida popularmente como Thaynes Balanço. Ela é cantora e integrou diversos grupos de afoxés e samba-reggae e, em 2008, decidiu criar seu próprio grupo e desfilar no carnaval.
Também no contrafluxo, celebrando 40 anos de fundação, desfilou o Afoxé Samba Bahia que trouxe o tema “Capoeira: Arte, Cultura e Luta”. Seu fundador, Milton Mário, conhecido como Mestre Macumba, falou emocionado: “É muito importante estar aqui desfilando e comemorando 40 anos. É uma vida de dedicação não só ao carnaval, mas a trabalhos sociais e culturais para a comunidade”.
Ao lembrar da sua trajetória, mestre Macumba destacou a importância do Programa Ouro Negro e sua contribuição à entidade. “Participei da construção do Ouro Negro desde 2008. Essa política contribui para a permanência e existência dos blocos de matriz africana no Carnaval de Salvador. Tenho muita gratidão”, disse.
Carnaval Ouro Negro 2024 - O Carnaval da Bahia é Ouro Negro. Em 2024, foram investidos R$15 milhões para proporcionar o apoio a mais de 170 grupos dos segmentos afro, afoxé, samba, reggae e de índio. Só no carnaval de Salvador são mais de 100 entidades que desfilam nos circuitos oficiais da folia. Entre as entidades contempladas estão grupos tradicionais como o Olodum, Ilê Aiyê, Filhos de Gandhy, Muzenza e Cortejo Afro. A Sepromi e a SecultBA amplia sua parceria com blocos tão importantes com o intuito de preservar a tradição destes na folia soteropolitana e nas suas comunidades de origem, valorizando as nossas matrizes africanas.