23/02/2023
Mantendo o mesmo propósito de quando foi fundado em 1998, de apresentar um desfile “Elegantemente Sofisticado”, o bloco Cortejo Afro trouxe para o desfile desta sexta-feira (17), no Circuito do Campo Grande, a beleza e a doçura do orixá Logunedé. Nas fantasias dos foliões, dos músicos da banda, da ala de canto e das baianas, o requinte dos figurinos cheios de referências à cultura e à religiosidade de matriz africana.
“Após dois anos sem desfile, nada melhor que trazer como tema um orixá menino, que pede respeito, para revigorar o Carnaval”, ressalta o artista plástico, Alberto Pitta, presidente do Cortejo Afro. Na mitologia iorubana, cultuada nos terreiros de candomblé de nação Ketu, Logunedé é um orixá criança, filho de Oxum e Oxóssi.
ESTÉTICA - “Logunedé é um príncipe regido pelas energias femininas de Oxum e masculinas de Oxossi. Ele é da terra ijexá e representa o renascimento e a fertilidade. Tanto que um dos símbolos deste orixá é o cavalo-marinho, bem representado no desfile do Cortejo Afro, único animal que os machos são responsáveis pela gestação”, explica a designer Jamile Sodré.
“O bloco trata a religião com respeito, sem folclorizar, de forma elegante e sofisticada. Há um equilíbrio e respeito ao artístico e ao religioso, em cada detalhe, como uma arte sagrada”, completa. Jamile Sodré é kota do terreiro Tanuri Junsara, localizado no Engenho Velho da Federação. O termo se refere às iniciadas mais antigas nos candomblés de nação Angola.
Ao lado de Jamile Sodré, o músico Roque Peixoto celebrava o fato de desfilar no Cortejo Afro há 25 anos, ou seja, desde a fundação da entidade nascida no terreiro Axé Oyá, no bairro de Pirajá. “Aqui você pode dançar candomblé na Avenida”, comemora o músico de 42 anos, criado na religião de matriz africana desde pequeno e que trocou o desfile em outras agremiações mais antigas por conta do encantamento com o Cortejo Afro.
“Elegantemente sofisticado somos todos nós, blocos afro, que conseguimos realizar desfiles tão bonitos em meio à adversidade. Seria bom se todas tivessem conseguido receber apoio financeiro para participarem do Carnaval”, destaca Alberto Pitta, sobre a beleza do desfile do bloco.
Quem também elogia a estética trazida pelas entidades negras, como o Cortejo Afro, para o Carnaval 2023 é o fotógrafo Lázaro Roberto, que registra as manifestações da comunidade negra desde a década de 1970. “A Avenida tem de ser dos blocos afro e afoxés. Não é possível que entidades realizem desfiles tão bonitos, culturais, tão importantes, sem visibilidade lá na rua Chile. Todos deveriam estar aqui, no circuito principal, mostrando toda beleza da cultura africana”, reclama o fotógrafo, que deseja que o principal circuito do Centro seja dos blocos de matriz africana.
Carnaval da Cultura – É o carnaval dos blocos afro, de samba, de reggae e dos afoxés, apoiados por meio do Edital Ouro Negro para desfilar nos três principais circuitos da folia: Batatinha, Dodô e Osmar. É a folia animada, diversa e democrática do Carnaval do Pelô, que abraça o carnaval de rua, microtrios e nanotrios, além de promover nos palcos grandes encontros musicais e variados ritmos numa ampla programação. Tem Afro, Reggae, Arrocha, Axé, Antigos Carnavais, Samba, Hip-hop e Guitarra Baiana, além de Orquestras e Bailes Infantis. E é também a preservação do patrimônio cultural, com o apoio ao carnaval tradicional dos mascarados de Maragojipe. O Carnaval da Cultura é promovido pelo Governo do Estado, Carnaval 2023 – “Um Carnaval em Cada Esquina”.