Foto por Erlon Sousa
O dia 20 de janeiro se torna um marco para as políticas culturais e raciais do Estado da Bahia, ao lançar o programa Ouro Negro. Com o maior investimento da história do Programa,15 milhões de reais, a 17° edição institucionaliza o comprometimento do poder público com uma agenda de correção de injustiças e violências históricas causadas pelo racismo.
Este dia que assinala a reafirmação das políticas do Estado com a valorização e preservação das culturas identitárias na Bahia, contou com a presença do governador Jerônimo Rodrigues, do vice-governador Geraldo Júnior, da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e Comunidades Tradicionais, Ângela Guimarães, e do Secretário de Cultura, Bruno Monteiro, além de reunir importantes representações do campo político e cultural.
Quem esteve na Lavagem do Bonfim deste ano, presenciou as entidades encantando e politizando ainda mais as ruas em direção à Colina Sagrada, e pôde ver pessoalmente a ampliação do programa em todo o orçamento anual. O recurso contemplou 114 entidades,incluindo os blocos afros, afoxés, samba, reggae e blocos indígenas, e se estende ainda a ações continuadas em outras festas populares como a Lavagem de Itapuã e de Santo Amaro e a Micareta de Feira de Santana, para além do Carnaval.
Um importante passo no financiamento e reconhecimento das cadeias produtivas das economias criativas, que nascem nestas entidades, a Secretária Ângela Guimarães acredita que este é um caminho para preservação das culturas afro-brasileiras e indígenas do país.
“As entidades de matrizes africanas e indígenas sempre tiveram dificuldades de colocar sua expressão cultural, seus blocos na rua, no carnaval, principalmente após a industrialização da festa. Cabe ao poder público assegurar, por meios de investimentos sustentados, que estas culturas tenham espaço nesta importante vitrine que apresenta a cultura da Bahia para o mundo ", completou.
O Ouro Negro, que conecta as festas populares a história da cidade de Salvador e do Estado da Bahia, concede apoio financeiro às entidade desde 2008, mas é desde 2014, com a publicação da Lei nº 13.182, que instituiu ao Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa do Estado da Bahia.
O secretário de Cultura Bruno Monteiro entende o projeto como um importante passo nas antigas e novas atuações destas organizações, realizadores de um trabalho cultural valoroso o ano inteiro. “Percebemos que quando investimos mais nestas políticas, não é somente o carnaval e as festas que se aprimoram, mas todo o trabalho que essas entidades realizam nas suas comunidades, de formações antirracistas, promoção diversidade religiosa, que ganham raízes e agregam mais de nós”, trouxe o Secretário de Cultura.