Nota de repúdio ao tratamento do Grammy 2025 ao multiartista Milton Nascimento

05/02/2025

 

Grammy 2025
Foto: Milton Nascimento e Esperanza Spalding no tapete vermelho do Grammy 2025 ( Matt Winkelmeyer/Getty Images for The Recording Academy) / Rolling Stone Brasil

A Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais repudia veementemente o tratamento dado ao compositor e multi-instrumentista brasileiro, Milton Nascimento, na cerimônia do Grammy 2025, ocorrida no domingo (2), em Los Angeles (EUA).

Ser direcionado a um local incompatível com a sua trajetória, ao seu prestígio internacional, assim como a sua idade e condições físicas, é resultado do racismo estrutural que não tolera que pessoas negras sejam sujeitas a direitos, construtores de intelectualidade, cultura e arte, e merecem reconhecimento pelas suas contribuições. Neste caso, colaborações inestimáveis, especialmente para a cultura afro-brasileira que, ao ter cidadãos inebriados pela sua música, alcançou a importância da representatividade de um homem negro à sua época e atravessou fronteiras e gerações.

A atitude da organização, depois de 34 álbuns e diversas premiações nacionais e estrangeiras, incluindo cinco prêmios do próprio Grammy, é inaceitável. Não há justificativas para o racismo, para a xenofobia e para um assento não condizente com a sua relevância e prestígio na música, principalmente quando o prêmio seria destinado a um  disco que também era seu.

Sobre o caso:

O brasileiro estava indicado na categoria a Melhor Álbum Vocal de Jazz, ao lado da norte-americana Esperanza Spalding, mas a organização do Grammy negou para o multiartista o assento nas mesas principais sob a justificativa de que  só estariam na área VIP quem tinham interesse de que aparecesse nas imagens audiovisuais do evento. Desta forma, o acesso foi permitido apenas a cantora Esperanza e ele decidiu não participar do prêmio, diante do desrespeito de ser direcionado a uma arquibancada, aos 82 anos de idade.

"Um dia antes, quando observamos os convites, constatamos que a Academia havia destinado um lugar para Esperanza, artista com quem Milton divide o disco indicado, nas mesas, entre os artistas principais ali presentes, enquanto destinaram para a lenda brasileira um lugar na arquibancada, desconsiderando não só toda a sua trajetória e prestígio em todo o mundo, como a sua idade avançada e impossibilidade de subir ou descer escadas", diz nota publicada no instagram do artista.