Povos de Terreiro de todo o país apresentam propostas para a V CONAPIR em plenária temática realizada em Salvador

11/06/2025
Foto por Erlon Sousa

 

Ontem(10), foi realizada a segunda plenária temática da V Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial -V Conapir, a Conferência Temática Nacional de Povos de Terreiro e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana. Promovida pelo Ministério da Igualdade Racial - MIR, em parceria com a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial da Bahia - SEPROMI, o encontro aconteceu no Instituto Anísio Teixeira, o encontro garante o protagonismo dos povos de terreiro nos ambientes de decisão.

Ao reunir cerca de 200 representantes de todas as regiões do Brasil, entre lideranças religiosas, gestores públicos e integrantes da sociedade civil, com o tema “Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana e Povos de Terreiro”, o momento teve foco nas políticas públicas voltadas ao combate ao racismo e à intolerância religiosa, levando em consideração as especificidades dos povos de terreiro do país. A etapa representa uma retomada significativa da participação popular nas políticas de igualdade racial, após sua última edição, há sete anos.

Na mesa de abertura, composta pela Ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco; a Secretária de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais, Ângela Guimarães;  Vice-presidenta do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial - CNPIR, Marina Duarte; Mãe Márcia de Ogum; deputada estadual Olívia Santana; e a vereadora Marta Rodrigues. O principal objetivo do encontro foi a construção de um documento com propostas sólidas para a consolidação de políticas públicas que representem os povos de terreiros.

“Sabemos e entendemos o tamanho da missão. É em encontros como esse que conseguimos avançar. Precisamos agir com respeito e transversalidade, porque quem conhece os terreiros são os próprios povos de terreiro. O ministério tem caminhado e seguirá cobrando a participação e decisão dessas comunidades”, afirmou a Ministra Anielle Franco.

O evento também contou com uma mesa de falas provocadoras, mediada por Larissa Santiago, secretária executiva do CNPIR, e com nomes como Igor Prazeres, Conselheiro Nacional do CNPIR; Vanda Machado, doutora em Educação; Wanderson Flor, Conselheiro Nacional do Notório saber e doutor em filosofia; Adailton Moreira, Babalorixá e mestre em educação; e Mãe Tuca, Conselheira Nacional do CNPIR.

Para a Secretária da Sepromi, Ângela Guimarães, o momento é um marco civilizatório. “O racismo religioso não dá tréguas, e esta plenária é um instrumento fundamental para elaborar, avançar e implementar políticas nacionais de proteção, especialmente que leva em consideração questões fundamentais para construirmos um Brasil justo, democrático e com igualdade de oportunidades e direitos”, destacou.

Durante a tarde, os(as) participantes se dividiram em grupos de trabalho (GTs) - etapa reservada para o desenvolvimento de propostas efetivas, que serão encaminhadas posteriormente para a Conferência Nacional. Ao final do encontro, em plenária, foram eleitos(as) 30 delegados(as) que representarão os povos de terreiro na V Conapir, que será realizada em Brasília, de 15 a 19 de setembro de 2025.

O ogã Elias Conceição, do Terreiro Pilão de Prata, destacou a importância da abrangência territorial da etapa. “É essa convergência que nos une em um propósito e facilita o reconhecimento das especificidades de cada lugar e terreiro. Reunidos, extraímos pontos e elementos para melhorar a vida em comunidade de todas as pessoas de santo, onde quer que elas estejam no país.”

Roberta Eugênio, secretária-executiva do MIR, compreende a Conferência Temática como o cumprimento de uma missão. “Para nós, é histórico realizar esta plenária temática em Salvador. Entendemos que, neste momento, estamos consolidando o fortalecimento da articulação dos povos de terreiro, o que tem um significado profundo no reconhecimento do papel histórico e das lutas travadas por lideranças tão importantes aqui desta cidade — não apenas para os povos de terreiro, mas para o debate sobre liberdade do povo negro como um todo”, disse secretária.

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