Baixo Sul abre caminhos para a IV CONEPIR e promove igualdade racial para o território

18/06/2025
Conferência Territorial - IV CONEPIR.jpg
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Fonte/Crédito
Foto por Erlon Sousa

 

Em Valença-BA, o território do Baixo Sul mostrou a sua força frente à promoção da igualdade racial, ao sediar a abertura oficial das etapas territoriais da IV Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial - CONEPIR, nesta terça-feira (17).  Realizada pela Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais - SEPROMI, a conferência marcou o início dos encontros previstos para o mês de julho em diversos territórios de identidade da Bahia.

Com expressiva participação popular,  a conferência reuniu cerca de 150 participantes e estabeleceu o tom esperado para as próximas etapas: diálogo qualificado, escuta ativa e formulação de políticas públicas territorializadas e antirracistas. Entre lideranças de comunidades quilombolas, povos de terreiro, marisqueiras, pescadores, juventudes negras urbanas e rurais, estiveram também presentes representantes do poder público e de organizações da sociedade civil.

Refletindo a diversidade cultural do Território do Baixo Sul, em consonância com o caráter plural do encontro, dos 15 municípios que compõem o território, 13 marcaram presença: Valença, Ituberá, Cairu, Teolândia, Taperoá, Aratuípe, Nilo Peçanha, Camamu, Igrapiúna, Presidente Tancredo Neves, Piraí do Norte, Wenceslau Guimarães e Gandu. Para a secretária Ângela Guimarães, a etapa de Valença representa um marco importante.


“O que vemos aqui hoje é um verdadeiro exercício de escuta ativa, participação cidadã e construção coletiva. A força dos territórios e o compromisso com uma política de igualdade racial efetiva ficam evidentes em cada fala, cada proposta e cada gesto de resistência”, destacou a secretária.

“Essa é uma importante oportunidade para as vozes reais, os anseios do povo preto, das comunidades tradicionais, serem escutadas. Junto ao poder público, que participa e pode ver a melhor forma de conduzir o acesso às políticas para a população do Baixo Sul”, completou Ioná Manuela, secretária de Pesca e Agricultura de Cairu.

A mesa de abertura contou com a presença da secretária estadual de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais, Ângela Guimarães, da Josélia Maria dos Santos, representando o Núcleo Territorial de Educação do Baixo Sul pela Secretaria de Educação; Alordolina Angélica, da Secretaria de Políticas para as Mulheres e o vice-prefeito de Teolândia, Antônio Moacir. Estiveram ainda Cida Meireles, representando o prefeito de Cairu; Graça Frizola, em nome do mandato da deputada federal Alice Portugal; Silvio Olegário, representando o CODETER Baixo Sul; Ioná Manuela, secretária de Pesca e Agricultura de Cairu; Juciara, secretária de Reparação do município de Camamu, o prefeito de Aratuípe, Professor Tone, e Ademir Santos, do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra - CDCN.

Durante a programação, diversas falas marcaram o compromisso dos participantes com a reparação histórica e a construção de políticas públicas efetivas.“Aratuípe tem um prefeito negro e essa responsabilidade. A expectativa é uma democracia efetiva que leve em consideração esse aspecto tão caro para a nossa sociedade e para a comunidade negra do nosso país, que é a construção de ações e políticas públicas que levem em conta a reparação racial que demandamos”, afirmou o prefeito de Aratuípe, Professor Tone.

A programação incluiu apresentações culturais, leitura do regimento interno e uma palestra magna com o tema “Igualdade e Democracia: Reparação e Justiça Racial”, que norteou os debates do dia. No período da tarde, os participantes se dividiram em grupos de trabalho para discutir propostas nos eixos temáticos de democracia, justiça racial e reparação.

“Desejamos reparar os direitos que foram retirados dos nossos povos há mais de 500 anos. Estamos aqui para viabilizar a construção do que queremos e precisamos em um coletivo potente e democrático de vozes”, declarou Carlos Silva.

O encerramento ocorreu com a plenária final, na qual foram votadas as propostas prioritárias do território e eleitos os nove delegados que participarão da etapa estadual da IV CONEPIR, marcada para os dias 20 a 22 de agosto, em Salvador. Seis dos eleitos são representantes da sociedade civil e três do poder público, obedecendo aos critérios de paridade e representatividade definidos pela Resolução nº 001/2025.

“A conferência permite que possamos nos ver, ver as nossas demandas espelhadas nas políticas públicas, reafirmando a pedagogia que pregamos na pedagogia do terreiro — onde todos nós devemos aprender e todos nós devemos ensinar”, disse Mãe Bárbara, Mameto Kafurengá, da comunidade Caxuté, em Valença.

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