A Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais realizou, nesta terça-feira (05), a certificação da Rede de Empreendedores(as) da Loja Afrocolab do Shopping Paralela, a quarta unidade do projeto. A ação foi promovida na Casa da Igualdade Racial, no Pelourinho, e reconheceu formalmente os empreendedores e empreendedoras que participaram do ciclo de um ano de capacitação, consolidando a iniciativa como um instrumento de promoção da igualdade racial no Estado da Bahia.
Consolidada desde 2023, a Afrocolab reuniu mais de 50 empreendedores e empreendedoras nesta fase, com o objetivo de fomentar o empreendedorismo negro e indígena, por meio da oferta de um espaço coletivo de exposição e comercialização de produtos e serviços. A certificação oficializa a ampliação de oportunidades de inserção produtiva, além de valorizar trajetórias empreendedoras, especialmente em espaços estratégicos de comercialização.
"A Afrocolab é uma rede potente, e tenho certeza de que estar inserida no projeto nos oportunizou levar nossas marcas a um shopping — algo que teríamos muita dificuldade de acessar fora da iniciativa. É um espaço de conexão, empoderamento e fortalecimento da nossa cultura e ancestralidade", afirmou Viviane Cruz, CEO da Vista Afrodite.
Durante o primeiro ciclo do projeto, realizado entre 1º de abril de 2025 e 29 de abril de 2026, foram faturados mais de R$ 400 mil (brutos), o que demonstra o potencial transformador da iniciativa, ao aliar desenvolvimento econômico à promoção da equidade racial e social.
De acordo com a secretária da Sepromi, Ângela Guimarães, a ação integra uma agenda de reparação racial em escala global, celebrando a ampliação da visibilidade dos produtos do empreendedorismo negro e indígena baiano.
“Nossa tarefa não está concluída. Este é um passo importante na direção de consolidar pressupostos fundamentais para uma política de inclusão econômica da população negra e indígena, que é, sobretudo, uma demanda de justiça e reparação racial. Vislumbramos uma rede com milhares de empreendedores e empreendedoras negras, que são protagonistas na afirmação do papel da Bahia no desenvolvimento econômico e sociocultural”, completou a titular da Secretaria.
“Através da loja, não só fortaleci minha marca, como também minhas raízes. Sem dúvida, há um ‘antes’ e um ‘depois’ do Afrocolab na minha trajetória. Foi um divisor de águas para a minha carreira, para a minha marca e para todos que passaram a conhecê-la. Trata-se de um projeto enriquecedor, não apenas para mim, mas para todos os participantes que sentiram impactos positivos em suas trajetórias e negócios”, afirmou Júnior Teles, dono do Ateliê Júnior Teles.
Nesse cenário, as Lojas Afrocolab revelam ainda uma forte predominância de mulheres empreendedoras. Do total de participantes, 86,8% são mulheres e 13,2% são homens, o que evidencia a força da economia criativa liderada por mulheres, além da ampliação da representatividade, da inclusão social e do fortalecimento de políticas públicas voltadas às mulheres negras.
Para Jaqueline Daiane, que há dez anos idealizou a marca Jack Diva Black, participar da Afrocolab do Shopping Paralela foi uma das experiências mais significativas para o crescimento do seu negócio.
“Compartilhar o espaço da loja com outras empreendedoras negras e indígenas fortaleceu muito a minha marca. As trocas durante as formações e os plantões são valiosas, e percebemos que não estamos sozinhas. Nos fortalecemos não apenas nas vendas, mas na construção de uma rede coletiva. Estar nesse ambiente com outras mulheres negras empreendedoras, que enfrentam desafios semelhantes aos meus, é extremamente significativo”, afirmou a empreendedora.