
O turismo étnico tem atraído diversos visitantes à Bahia para conhecer o candomblé, a culinária ancestral, a capoeira e os quilombos, entre outros segmentos tradicionais. Além de revelar sua importância cultural para o mundo, pode ser uma oportunidade para empreender. A maioria dos grupos de capoeira identificados no estado, por exemplo, fabricam produtos associados à manifestação cultural, como CDs, livros, fardamentos, instrumentos e souvenirs. Há mestres, ainda, que desenvolveram centros de treinamento, com alojamento, alimentação e demais serviços. Os dados foram apresentados na tarde desta segunda-feira (27), na Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), em Salvador, durante reunião da comissão gestora da Política Estadual de Fomento ao Empreendedorismo de Negros e Mulheres, instituída pela Lei 13.208/14.
Segundo Tâmara Azevedo, que falou pela Secretaria de Turismo (Setur), a capoeira já está presente em 152 países, levando “nossa música, o berimbau e a língua portuguesa”. Já o candomblé é a segunda demanda do Disque Bahia Turismo. A representante da pasta contou a experiência desenvolvida na Casa de Oxumarê, na capital baiana, com a qualificação de jovens para receptivo, que pode ser ampliada para outros terreiros. Também falou das oportunidades nas comunidades quilombolas, como foi feito em Santiago do Iguape, a partir de capacitação, promoção internacional, sinalização e infraestrutura. Ela informou, ainda, que a média de permanência do turista na Bahia é de apenas três dias enquanto a do visitante em busca do turismo étnico é de 15 a três meses. “Eles vêm para imersão cultural; querem levar tudo que é de referência”, concluiu.
Para o coordenador de Promoção da Igualdade Racial da Sepromi, Sérgio São Bernardo, o desafio é pensar políticas públicas, em conjunto com os demais órgãos governamentais e a sociedade civil, direcionadas ao empreendedorismo de negros e mulheres sem perder “a identidade e a essência de cada segmento”, criando novas oportunidades de geração de emprego e renda, além de contribuir para inclusão social da juventude e preservação da cultura afro-brasileira. Também presente na atividade, a coordenadora da Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa, Nairobi Aguiar, aproveitou para anunciar o seminário “Mulher Negra e Empreendedorismo”, que será realizado nesta quarta-feira (29), às 14h, no Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN). Participaram, ainda, do encontro representante das Secretarias do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), da Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), e da Fazenda (Sefaz).
Ações
Terminam nesta terça-feira (28) as inscrições para o Edital Agosto da Igualdade 2015, promovido pela Sepromi, que tem como novidade este ano a inclusão da categoria ‘empreendedorismo. A iniciativa é voltada para seleção de projetos com foco na celebração, valorização e resgate histórico da memória da Revolta dos Búzios e seus heróis.
Também visando fomentar o empreendedorismo, o governo estadual formalizou, no último dia 17, parceria com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), direcionado aos segmentos de negros e mulheres. Outras iniciativas já estão sendo articuladas como opções de financiamento e editais na área.
O Comitê
Coordenado pela Sepromi, o comitê é composto ainda por representantes das secretarias estaduais de Políticas para Mulheres (SPM), de Planejamento (Seplan), da Fazenda (Sefaz) e de Desenvolvimento Econômico (SDE). Também integram o grupo as secretarias do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS) e da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Reforma Agrária, Pesca e Aquicultura (Seagri).