Até às 22h desta terça-feira (17), a equipe do Centro Nelson Mandela permanece de plantão para atendimento a vítimas de racismo e intolerância religiosa no Carnaval. A unidade está funcionando, excepcionalmente, no Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN), na Ladeira do Passo, nº 42, no Pelourinho. Um dos casos de maior repercussão registrados no equipamento foi o do advogado baiano Leandro Oliveira, 34 anos, que só queria curtir a festa, mas precisou interromper a diversão por conta de um ato discriminatório no camarote Planeta Band.
“Onde conseguiu essa camisa [que dá acesso ao camarote] seu negro?”, questionou o suposto chefe de produção, de prenome Marcos, ao advogado, após barrá-lo na entrada do local. Após o episódio, Oliveira foi empurrado e ameaçado, além de ter passado mal devido ao aumento da pressão. “A gente se bate por aí e você vai ver!”, disse o agressor. O caso foi protocolado no CDCN, onde foi realizada uma reunião ontem (16) à tarde com representantes da Defensoria Pública (DP), Ordem dos Advogados do Brasil – Bahia (OAB-BA), Sepromi e Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS).
Os órgãos fazem parte da Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa, coordenada pela Sepromi, que está acompanhando o processo. Segundo o coordenador de Promoção da Igualdade Racial da pasta, Sérgio São Bernardo, a parceria com as diversas entidades está sendo fundamental para agilizar as ações no sentido de garantir os direitos das vítimas. “Inclusive, neste período, fizemos e recebemos visitas dessas organizações, que estão atuando em postos fixos, mas também nas ruas”.
Em caso de racismo ou intolerância religiosa, a vítima também pode entrar em contato pelos telefones (71) 3117-7438 ou 162 (Ouvidoria Geral do Estado). O serviço é prestado ao longo do ano por profissionais especializados, com apoio psicológico, social e jurídico, no Centro Nelson Mandela, situado no Edifício Brasil Gás, na Avenida Sete de Setembro, no Centro de Salvador, de segunda a sexta-feira, das 9 às 12h e das 14h às 17h.
Cultura Negra Viva – Segundo a titular da Sepromi, Vera Lúcia Barbosa, a campanha realizada pela pasta com foco na valorização da presença negra no Carnaval da Bahia, suas contribuições para construção desta festa popular, e o enfrentamento ao racismo, teve aprovação de baianos e turistas; “no entanto, não é um trabalho fácil e precisa ter continuidade junto ao desenvolvimento de políticas públicas voltadas para inclusão e empoderamento da população negra”, afirmou a gestora.
A campanha “Cultura Negra Viva”, como foi intitulada, contou ainda com o engajamento de diversos artistas e personalidades. Antes da folia, eles foram fotografados e gravaram depoimentos em defesa da causa, que podem ser conferidos nas redes sociais – facebook.com/Sepromi e https://www.youtube.com/user/SepromiVideos. Em paralelo, promotores identificados com o tema distribuíram material de divulgação em pontos estratégicos de Salvador, como aeroporto, terminal náutico, rodoviária, espaços de concentração de blocos e circuitos de bairros.
Para o soteropolitano Marivan Pereira, 33 anos, a iniciativa é de “bastante importância não apenas para conscientizar as pessoas em relação ao combate ao racismo, mas fazer com que os jovens, em especial, conheçam e valorizem a cultura negra”. Matheus Magalhães, do Espírito Santo, que veio curtir a folia pela primeira vez com sua esposa também gostou da ação. “É um gesto nobre, porque a igualdade tem que existir, seja de gênero ou raça. Estamos dentro, apoiando a campanha e esperando que um dia o racismo acabe”.
