Políticas de permanência e assistência estudantil com maior atenção às questões raciais, lei de cotas no ensino superior, combate ao racismo institucional, dentre outras pautas, foram discutidas em jantar da ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Nilma Lino Gomes, com reitores de universidades e institutos federais de educação nesta terça-feira (22), em Salvador. A atividade fez parte da Caravana Pátria Educadora, iniciativa do Governo Federal que percorre o país para ampliar o debate com diversos segmentos da sociedade e construir estratégias para a superação do racismo. A secretária da Sepromi, Vera Lúcia Babosa, participou do evento, acompanhada do coordenador de Promoção da Igualdade Racial da pasta, Sérgio São Bernardo.
A ministra Nilma Lino afirmou que a Bahia tem se destacado com a criação de ações reparatórias e políticas inclusivas no campo do ensino superior, possibilitando o acesso democrático da população negra ao ambiente acadêmico. "O estado, com suas diversas iniciativas nesta área, pode ser ‘piloto’ para potencializar as experiências afirmativas no país”, disse a gestora. Ela informou a disponibilidade, no âmbito da Seppir, de edital de apoio financeiro a projetos voltados para ações afirmativas nas universidades, podendo ser acessado com maior êxito pelas instituições de ensino baianas, em virtude da adesão do estado ao Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir). Nilma abordou, ainda, a necessidade de observação à proposta da inclusão da regra de cotas nos cursos de pós graduação, assunto que tem sido tratado através de uma comissão criada pelo Ministério da Educação (MEC).
Para o reitor do Instituto Federal Baiano (IF Baiano), Geovane do Nascimento, o momento é de focar o olhar mais intensamente para as questões raciais e maior atenção às demandas do alunado negro. “Podemos ser mais eficazes com programas e atendimentos específicos deste segmento. Já temos, inclusive, várias ações como o fortalecimento da assistência estudantil, democratização do acesso e permanência. No tripé de ensino, pesquisa e extensão, atrelado a um currículo moderno, o que é um desafio atualmente”, relatou. O reitor da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), José Bites, reforçou, afirmando a necessidade de inovar, para que o país dê passos que vão além do acesso ao ensino superior por parte da juventude negra.
Também compareceram ao encontro reitores e representantes das universidades federais da Bahia (UFBA), do Recôncavo Baiano (UFRB), da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), do Oeste da Bahia (Ufoba), além das estaduais do Sudoeste da Bahia (Uesb) e de Feira de Santana (UEFS).
A titular da Sepromi, Vera Lúcia Barbosa, considera oportuna a ampliação do diálogo sobre as questões que envolvem o ensino superior, no momento em que a Bahia acaba de aderir à Década Internacional Afrodescendente, assumindo compromissos junto às comunidades negras com foco no reconhecimento, justiça e desenvolvimento. Ela lembrou, ainda, que um conjunto de esforços tem sido feito pela gestão estadual, entre eles, a criação de um grupo de trabalho específico para debater, construir e reforçar as questões étnico-raciais no ensino superior, trabalho coordenado pela Sepromi. Além disso, ela mencionou a participação expressiva das universidades na Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa e o recente engajamento da Coordenação de Desenvolvimento da Educação Superior (Codes), vinculada à Secretaria da Educação (SEC), o que potencializa as discussões relativas às mais diversas pautas e demandas na área.