Mãe Gilda é homenageada com ato em defesa da liberdade religiosa

28/11/2015

Uma grande mobilização de comunidades de terreiro, reunidas na manhã deste sábado (28) no Parque Metropolitano do Abaeté, em Salvador, marcou o primeiro ano de instalação do busto em homenagem à ialorixá Gildásia dos Santos, a Mãe Gilda, falecida em 2000. O evento fez parte da agenda oficial do Novembro Negro na Bahia, com apoio do Governo do Estado, através da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi).

A líder religiosa faleceu em decorrência de problemas de saúde agravados após invasão ao seu espaço religioso e difamações públicas. Para a ialorixá Jaciara Ribeiro, filha biológica de Mãe Gilda, hoje à frente do Ilê Axé Abassá de Ogum, o ato de hoje também foi um protesto contra a intolerância religiosa que, segundo ela, tem se repetido todos os dias. “Não podemos deixar que o ódio religioso e o racismo acabem matando a história de mulheres negras e ancestrais. Precisamos de políticas públicas que cheguem, de fato, aos terreiros”, disse ela que hoje ocupa a função de vice-presidente do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN).

O padre Alfredo Dórea, presidente do Comitê Interreligioso da Bahia (Cirb), considerou que é fundamental construir uma soceidade que respeita o princípio do Estado laico e que dissemina a democracia religiosa. “Revenrenciamos a memória de Mãe Gilda e fazemos valer, mais uma vez, nosso desejo de paz, harmonia e conviência pacífica entre as religiões”, pontouou. 

A titular da Sepromi, Vera Lúcia Barbosa, também ressaltou a necessidade de defesa da diversidade religiosa e do esforço empreendido pelo poder público e sociedade civil no enfrentamento às violações de direito. A gestora destacou que a Sepromi tem ampliado o diálogo com lideranças religiosas, tendo o CDCN e a Comissão Estadual para a Sustentabilidade dos Povos e Comunidades Tradicionais (CESPCT) como principais instâncias.

Para além do debate e proposição de políticas nestes espaços, a população também conta com o Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Relgiiosa Nelson Mandela, sediado em Salvador, que recepciona casos de violências relacionadas, através de equipe multidisciplinar e ampla articulação com uma rede de organizações voltadas à celeridade do andamento dos casos.

“Este conjunto de instituições, formado por organismos governamentais, universidades, órgãos de classe, sistema de Justiça e de Segurança Pública, mantém reuniões periódicas, com avanços significativos em diversas áreas”, reforçou a secretária.

O caso Mãe Gilda - A homenagem à Mãe Gilda é mais uma reconhecimento oficial pela sua trajetória como líder religiosa, além de uma estratégia para evidenciar o trabalho das mulheres negras pela superação do racismo, das desigualdades e da busca por justiça e dignidade do povo de candomblé. Os acontecimentos que levaram Mãe Gilda à morte também culminaram em processo judicial contra uma instituição religiosa de outro segmento, mobilizando vários órgãos públicos e sociedade civil do país. O caso repercutiu amplamente, resultando em projetos de lei na esfera municipal e, em seguida, sendo reconhecido na esfera federal pelo então presidente Lula que, em 2007, sancionou o Dia Nacional de Combate àia Religiosa (21 de janeiro), dia do falecimento da matriarca, fazendo da data um marco para sensibilizar e combater qualquer tipo de intolerância religiosa.