Sepromi visita quilombo Kaonge e reafirma compromissos com lideranças

25/10/2016
O quilombo Kaonge, localizado no município de Cachoeira, sediou nesta segunda-feira (24) um encontro com diversas representações quilombolas, de organizações civis e de órgãos estaduais e federais. A iniciativa foi do Conselho Quilombola da Bacia e Vale do Iguape e do Centro de Educação e Cultura. A reunião aconteceu com a presença da Sepromi e teve como objetivo o alinhamento de ações e estratégias para acelerar a execução de políticas públicas para a comunidade tradicional, além do fortalecimento das famílias locais.

“Aqui temos um trabalho coletivo de organização e produção. Precisamos fortalecer essa nossa cultura e colocar demandas aos parceiros. Nossa intenção é dialogar para garantir a continuidade dos trabalhos da comunidade tradicional quilombola, sem perder nossas tradições”, disse Ananias Viana, do Conselho Quilombola da Bacia e Vale do Iguape, entidade que reúne treze associações quilombolas da região. Ele informou que dentre as iniciativas em curso, no momento, estão ações na área do artesanato, projetos de audiovisual através de Ponto de Cultura, bem como atividades de apicultura, cultivo de ostra e produção de dendê artesanal.

A titular da Sepromi ressaltou os esforços da pasta para articular políticas destinadas às comunidades tradicionais da Bahia. “Compreendemos a importância vital das pautas de luta coletivas, a partir da realidade de cada segmento tradicional. Nossa atuação enquanto Estado é no sentido de apoiar, fomentar e criar mecanismos estruturantes para fortalecer esse trabalho da organização das comunidades. Temos dialogado, inclusive, com o conjunto das representações que atuam na luta antirracista, do combate à intolerância religiosa, pensando o desenvolvimento para essa população negra da Bahia”, afirmou a secretária.

Ela lembrou, ainda, da missão institucional da Sepromi de monitoramento das iniciativas voltadas para o segmento, a exemplo da aplicação de recursos do Estatuto da Igualdade Racial e Combate à Intolerância Religiosa. “Aqui no Território de Identidade do Recôncavo, incluindo municípios como Cachoeira e Santo Amaro, reconhecemos a presença efetiva do povo negro, com comunidades de resistência secular, que pensam e concretizam boas práticas, as tecnologias sociais. Tudo isso com seus conhecimentos ancestrais e focados na sustentabilidade. Queremos ampliar o desenvolvimento local com a execução de políticas públicas”, disse ela. Reis também destacou os diálogos destinados às cooperações com universidades e outras instâncias do poder público para acelerar as políticas públicas junto aos povos e comunidades tradicionais.

A gestora confirmou, ainda, a presença na oitava edição do Festival da Ostra, que acontece no próprio local, nesta sexta (28) e sábado (29), com a finalidade de divulgar, comercializar e fortalecer a cadeia produtiva das comunidades do entorno, nos princípios da economia solidária. Uma das iniciativas associadas ao evento é a moeda social Sururu, criada pelos próprios moradores, potencializando o banco comunitário e a autonomia econômica dos quilombos.

Também participaram da reunião nesta segunda-feira o coordenador de Políticas para Povos e Comunidades Tradicionais da Sepromi, Cláudio Rodrigues, representantes das universidades federais do Recôncavo Baiano (UFRB) e da Bahia (UFBA), do Instituto Chico Mendes (ICMBio) e da Cooperação Internacional para o Desenvolvimento dos Países Emergentes (Cospe), dentre outras organizações.