Educadora Ana Célia e Coletivo Ogums Toques recebem Medalha Luiz Gama na UFBA

02/12/2016
O Programa Direito e Relações Raciais da Universidade Federal da Bahia (PDRR/UFBA) concedeu nesta sexta-feira (2), em Salvador, a Medalha Luiz Gama à educadora e ativista Ana Célia da Silva, bem como ao Coletivo Poético Ogum’s Toques Negros. A honraria, que está em sua terceira edição, destina-se ao reconhecimento das lutas de mulheres e homens negros, além de organizações com notória atuação política de combate ao racismo e às desigualdades.

O nome da medalha homenageia o abolicionista Luiz Gama, filho de Luiza Mahin, uma das líderes da Revolta dos Malês. Jurista, poeta e jornalista, ele chegou a ter a matrícula estudantil negada, à época na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Persistiu como ouvinte das aulas, conseguiu uma carta de advogado e com o conhecimento adquirido tornou-se um grande emancipacionista da população negra escravizada, sendo reconhecido como o “Apóstolo Negro da Abolição”.

Para a titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Fabya Reis, a medalha Luiz Gama é um incentivo à continuidade da mobilização coletiva. “Através desta medalha podemos resgatar o legado de luta de um líder histórico que não costumamos ver nos livros didáticos. Também é uma forma de reconhecer as contribuições do povo negro, das nossas companheiras e companheiros das lutas de hoje. Assim vamos fortalecendo os ideais, também reafirmando a importância da manutenção dos direitos conquistados”, afirmou.

Em entrevista ao Portal Sotero Preta, a escritora Mel Adún, que representou o Coletivo Poético Ogum’s Toques Negros na mesa oficial do evento, considera a medalha “uma grande honra, especialmente por trazer o nome de Luiz Gama e por entender que nossa maior força reside na coletividade. Solidão não faz parte de nossas heranças”

A professora Ana Célia da Silva afirmou que receber a Medalha é um misto de surpresa e honra, estendo a homenagem ao conjunto de militantes que atua no “estabelecimento da igualdade de direitos e oportunidades”. Ela ressaltou, ainda, a importância da continuidade da luta. “O tempo inteiro operam para nos desumanizar, então temos que reforçar nossas representações, nossa solidariedade com nós mesmos”, afirmou.

Também participaram da cerimônia os professores Samuel Vida, Denise Carrascosa, Bárbara Carine, representações do movimento estudantil e dos Coletivos Boca Quente e Luiza Bairros.



*Com informações do Portal Sotero Preta