Bembé do Mercado, maior candomblé de rua do mundo, completa 126 anos de tradição

04/09/2015

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“Essa festa é como se tivéssemos no terreiro. A gente canta, dança e cada um exibe sua roupa, uma mais bonita que a outra, e traz sua parcela de contribuição. Tudo com bastante seriedade, respeito e fé, eixo principal do axé”. É assim que a Ebomi Romilda Cintra, do Ilê Iaomã, descreve o ‘Bembé do Mercado’, que segue até domingo (17), em Santo Amaro, no Recôncavo Baiano, com a participação de diversos adeptos do Candomblé. A realização do evento conta com reconhecimento e apoio do Governo do Estado.

A abertura das atividades, na quarta-feira (13), contou com a presença do ministro da Cultura, Juca Ferreira, da presidente nacional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan), Jurema Machado, dos secretários estaduais de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Vera Lúcia Barbosa, do Turismo (Setur), Nelson Pellegrino, e da Cultura (Secult), Jorge Portugal, e do deputado Bira Corôa (Comissão de Promoção da Igualdade – CEPI, da Assembleia Legislativa), entre outras autoridades.

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Também foram lançados, na oportunidade, publicação e documentário sobre o Bembé, produzidos pelo Ipac, em reconhecimento à tradição da festa que completa 126 anos e é Patrimônio Imaterial da Bahia. Segundo o babalorixá Celino da Silva, do Tumba da Junça Filho, que participa do evento há mais de 30 anos, a realização do mesmo agrega os religiosos e protege a cidade e seus moradores.

Legado

20150513_204344(0)No final do encontro, o ministro Juca Ferreira escutou as principais demandas do segmento e disse que a festa tem “uma importância enorme pelo lado histórico e direito da crença”, destacando ainda a luta pela igualdade racial e pelo combate à intolerância religiosa no país. Um dos organizadores, Pai Pote (Raimundo José), do Ilê Axé Oju Onirê, explica que o Bembé do Mercado “mostra a pluralidade, culinária e desenvolvimento dos povos de terreiros dentro da comunidade. É um legado deixado pela nossa ancestralidade”.

Vera Lúcia também registrou o protagonismo dos povos de terreiros de Santo Amaro na resistência e construção do Bembé. “É uma conquista da comunidade, que este ano foi potencializada com o apoio do governo estadual, a partir de uma ação conjunta entre as nossas secretarias, na luta contra o racismo e à intolerância religiosa, assim como pela valorização da cultura negra. Foi aqui que, em 13 de maio de 1889, um ano após a publicação da Lei Áurea, os negros agradeceram aos orixás pela abolição da escravatura ”.

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