Sepromi ressalta atuação do Axé Opô Afonjá e de sua matriarca, Mãe Stella

08/11/2016
No seminário de comemoração pelos 80 anos da Sociedade Cruz Santa do Axé Opô Afonjá e 40 anos de matriarcado de Mãe Stella de Oxóssi, nesta terça-feira (08), a titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi), Fabya Reis, ressaltou a atuação da ialorixá e do terreiro no combate ao racismo e à intolerância religiosa. “Essa casa de matriz africana tem grande contribuição na luta pela liberdade de culto e respeito à diversidade, além de prestar um importante serviço à comunidade, trazendo os ensinamentos sobre a cultura afrobrasileira na escola do próprio terreiro”, disse a secretária, registrando, ainda, a data simbólica do encontro, na qual, em 1799, quatro líderes negros da Revolta dos Búzios foram enforcados. “Hoje recuperamos os ideais do movimento - igualdade, liberdade e fraternidade -, referenciando essa memória de resistência do povo negro na construção da Bahia e do Brasil”, concluiu.

Entre homenagens, cânticos e toques sagrados, Mãe Stella falou da sua responsabilidade e “compromisso com o bem e a verdade”, na luta pela visibilidade do candomblé e convivência pacífica entre as diferentes religiões. O encontro segue até às 18h com conferências, manifestações culturais e lançamento do livro “Mojubá, Obá Biyi: patrimônio cultural afro-brasileiro (1936-2016)”, do ogan Marcos Santana. A publicação, que conta com o apoio da Sepromi, registra os 80 anos da Sociedade Cruz Santa. “No contexto em que o terreiro foi fundado, fez-se necessário esse amparo civil com obras educacionais, profissionalizantes e culturais”, explicou o autor. Dividido em oito partes, o livro recupera a trajetória da fundadora do Afonjá, Mãe Aninha, encerrando com a atuação da atual ialorixá.

O presidente da Sociedade Cruz Santa, Ribamar Feitosa, destacou os avanços na “salvaguarda da casa para divulgação do axé e continuidade do trabalho junto à comunidade”. Já o assessor da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Gildeci Leite, falou da relação histórica da academia com o terreiro. “Em 1937, Mãe Aninha recebeu membros do Congresso Afrobrasileiro e, em seguida, Mãe Senhora, consolidando esses laços”. A professora Vanda Machado compartilhou, ainda, as lembranças de Mãe Stella, “que sempre foi capaz de dialogar com sabedoria e nos ensinar. Quem entrou no quarto do axé jamais vai esquecer suas mãos estendidas  para receber e resgatar a ancestralidade”.

O seminário também contou com a participação do pastor Djalma Torres, que acompanha a matriarca na luta contra a intolerância religiosa; do presidente da Fundação Pedro Calmon (FPC), Zulú Araújo; do desembargador Lidivaldo Britto; da superintendente de Apoio e Defesa aos Direitos Humanos, Anhamona de Brito, e de representantes da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Secretaria do Turismo (Setur),  além da vice-prefeita Célia Sacramento e autoridades religiosas.

Mãe Stella
– Iniciada no candomblé aos 14 anos, por Mãe Senhora, a ialorixá formou-se em Enfermagem pela UFBA, com especialização em Saúde Pública, exercendo a profissão por cerca de 30 anos, o que atesta a sua vocação em cuidar das pessoas. Além do trabalho de valorização da cultura e das religiões de matriz africana, foi a primeira mulher negra a conquistar uma vaga na Academia de Letras da Bahia, ocupando a cadeira 33, que tem como patrono o poeta Castro Alves. Já viajou várias vezes para África, no intuito de aprofundar os conhecimentos sobre a cultura iorubá, e escreveu diversos livros e artigos sobre o candomblé. Tem o título de doutora Honoris Causa da UFBA e UNEB.