Centenas de adeptos de religiões de matriz africana realizaram uma caminhada, neste domingo (08), em defesa da Pedra de Xangô, que tem sido alvo constante de atos de intolerância religiosa, no bairro de Cajazeiras X, em Salvador. Presente na atividade, a titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Vera Lúcia Barbosa, disse que dará continuidade ao trabalho de articulação para salvaguarda do monumento.
Desde novembro, quando foram depositados 200 quilos de sal grosso no local, a pasta tem convocado uma série de encontros entre povos de terreiros e representantes dos poderes públicos municipal e estadual, para planejar ações de proteção ao espaço. Na época, a denúncia foi registrada no Centro Nelson Mandela, que presta assistência social, psicológica e jurídica a vítimas de racismo e intolerância religiosa na Bahia.
Entre as medidas acertadas estão tombamento e registro especial da Pedra pela Fundação Gregório de Matos (FGM) e pelo Instituto de Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac). O diálogo também já resultou num encontro entre pastores e lideranças do candomblé, e numa aula pública para estudantes da região sobre a história do monumento, que funcionava como esconderijo e rota de fuga de negros escravizados.
Segundo Mãe Iara de Oxum, ialorixá do Ilê Tomim Kiosisé Ayó, a atividade, que está em sua sexta edição, teve maior adesão do que nos anos anteriores. “Dizem que nós (povo de santo) não somos unidos, e eu provo o contrário ao fazer essa caminhada. O apoio da Sepromi e da prefeitura ao evento facilitou ainda mais a organização”. Também marcou presença no ato o deputado estadual Bira Corôa.
