Contribuições históricas da Sociedade Protetora dos Desvalidos são destacadas

25/08/2016
Representantes da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) e da Sociedade Protetora dos Desvalidos (SPD) discutiram nesta quinta-feira (25), na sede da instituição, no Centro Histórico de Salvador, políticas afirmativas e a manutenção do acervo da organização, fundada em 1832. A atividade contou com a participação da titular da pasta, Fabya Reis, que ressaltou a importância da parceria entre o Governo do Estado, entidades do movimento negro e de defesa dos direitos humanos, agenda que foi intensificada pela gestora nas últimas semanas.

A organização secular nasceu durante o período escravocrata, formada por um grupo de homens negros livres, com o trabalho voltado à filantropia e à solidariedade. Inicialmente atuou na compra de cartas de alforria para pessoas escravizadas e na construção de políticas abolicionistas, participando de lutas e revoltas que reivindicavam o fim da escravatura no Brasil. “A SPD sempre esteve aberta às discussões que dizem respeito ao nosso povo negro, que sofre historicamente com as desigualdades”, disse o presidente da assembleia geral da entidade, Pedro Nascimento.

Já a presidenta do diretório administrativo, Lígia Margarida Gomes, pontuou o alinhamento entre as iniciativas executadas pela instituição e as políticas públicas de promoção da igualdade racial. “A Sepromi, na sua missão institucional, tem muito a ver com as ações que desenvolvemos. Trabalhamos, desde o início, pela garantia dos direitos à população negra. O Estado, neste campo, se fortalece quando dialoga com a sociedade civil”, ressaltou Lígia, primeira mulher a ocupar este cargo.

Para a titular da Sepromi, Fabya Reis, o legado de defesa do povo negro da SPD “é uma referência para o Brasil, inspira a continuidade da luta e o trabalho pela manutenção de diversas conquistas sociais dos últimos anos”. Um dos avanços citados pela gestora, na Bahia, foi o Estatuto de Promoção da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa, construído com contribuições decisivas do movimento negro e sancionado em 2014. Ela destacou, ainda, as ações da entidade no campo educacional, de desenvolvimento e valorização da cultura afro-brasileira, além da orientação social, debate e empoderamento da população negra, incluindo os segmentos de mulheres negras e quilombolas.