Sepromi visita Ilê Asipá e destaca centenário de Mestre Didi

12/02/2017
O Ilê Asipá, localizado no bairro de Piatã, em Salvador, foi visitado neste sábado (11) pela equipe da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi). Em 2017 a comunidade religiosa celebra o centenário do seu fundador, o Mestre Didi (Deoscóredes Maximiliano dos Santos), artista plástico e Alapini, o mais alto título sacerdotal do culto de egugun.

Falecido em 2013, o Mestre Didi teve seu centenário lançado em dezembro do ano passado, com a presença de religiosos, artistas, intelectuais e autoridades. Na oportunidade, o Alabá Genaldo Novaes, liderança do Ilê Asipá, destacou que “Mestre Didi, com toda a sua sapiência, transitou entre a cultura de matriz africana e a modernidade, numa velocidade muito grande e com grande amor no coração”, sendo, segundo ele, um dos pioneiros da arte afro-brasileira. “Como religioso formou equipe, acreditando que a religião é uma maneira de viver”, acrescentou.

“No período em que vivemos o grande marco da Década Internacional Afrodescendente, temos grandes desafios que se tornam compromissos governamentais, a exemplo da valorização dos nossos patrimônios material e imaterial, além dos legados deixados por lideranças religiosas como o Mestre Didi. Vamos contribuir na construção dessa grande agenda do seu centenário, reconhecimento seu trabalho de preservação da cultura ancestral e do diálogo inter-religioso”, ressaltou a secretária da Sepromi, Fabya Reis.

Mestre Didi tem um sólido e respeitado trabalho, também como artista, conhecido em diversas partes do mundo. As suas obras integraram exposições internacionais, tendo percorrido a França, Argentina, Senegal, Nigéria, Reino Unido, Alemanha, Estados Unidos, Itália e Espanha. Em 2009, em São Paulo, o Museu Afro Brasil realizou uma grande homenagem à sua trajetória. Em 2017, de acordo com anúncio feito pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), a instituição de ensino lançará edital para viabilizar publicação de obra literária sobre a trajetória do Mestre Didi, a ser lançada até o final do ano.

No encontro deste sábado (11), no Ilê Asipá, também estiveram presentes os coordenadores executivos da Sepromi, Cláudio Rodrigues (Políticas para Povos e Comunidades Tradicionais) e Antônio Cosme Lima (Promoção da Igualdade Racial); o Aiyô Inà Gildeci Leite, escritor e docente da UNEB, pesquisador da cultura afro-brasileira; o neto biológico de Mestre Didi, Odun Alabá José Félix dos Santos; além de outras lideranças e membros da comunidade religiosa, a exemplo de Mãe Nídia.