Exibição de documentários, lançamento de livros e contação de histórias abordando relações raciais fizeram parte da programação da Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica), nesta sexta-feira (16), movimentando o Espaço Educar para Transformar, do Governo do Estado. O município concentra grande quantidade de turistas brasileiros e estrangeiros, desde a última quarta-feira (14), no evento já consagrado no calendário da literatura e da cultura do país. A Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) tem participado ativamente das atividades, juntamente com uma série de órgãos estaduais.
No Cine Theatro Cachoeirano, onde acontece a “Fliquinha”, o público infantil prestigiou a contação de história do educador Jorge Conceição, com a apresentação do título “Boi Multicor”, de autoria própria e com grande contribuição para o debate antirracista. “Trabalhamos com a literatura multiétnica. Este título promove a desconstrução do preconceito com a cor preta, da relação depreciativa. Divulgamos a beleza de todas as cores e culturas. É um reconhecimento da diversidade cultural e étnica”, disse ele, antes de iniciar as dinâmicas que divulgam uma nova versão da lenda do “Boi da Cara Preta”.
Já na Sala de Leitura Milton Santos, coordenada pela Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) e Fundação Pedro Calmon (vinculada à Secult), dois lançamentos de livro marcaram as atividades do dia. Um deles, escrito pela educadora Vanda Machado, é intitulado “Pele da Cor da Noite” e conta as experiências pessoais da autora, responsável pelo projeto Irê Ayô, desenvolvido na Escola Eugênia Anna dos Santos, localizada no Ilê Axé Opô Afonjá. O projeto é considerado referência no ensino de história da África e cultura afro-brasileira, antes até da sanção da Lei 10.639/03. Vanda autografou diversos exemplares e participou de uma roda de conversa com o público local.
O outro livro, “Edvaldo Bala Valério – a braçada da esperança”, do jornalista Raphael Carneiro, traz a biografia do atleta Edvaldo Valério, primeiro negro brasileiro a ganhar uma medalha olímpica na natação. Juntamente com Vanda, ele falou da experiência de escrever sobre a realidade de dificuldades e superação de um homem negro no esporte, bem como a necessidade de visibilidade, reconhecimento e apoio para a promoção deste segmento.
Durante todo o dia, que transita pelas ruas de Cachoeira também pode assistir, num grande telão, documentários que tratam de questões referentes à diversidade racial e religiosa. Entre os vídeos estão Mulheres de Axé, A Cor do Trabalho e Quilombos da Bahia. À noite, a programação inclui show de artistas de reggae, a exemplo de Sine Calmon, natural de Cachoeira, uma das principais vozes do gênero no Brasil.