Caravana da Igualdade chega à sede do bloco afro Malê Debalê

26/08/2016
Através de dança, música e teatro na sede do Malê Debalê, no bairro de Itapuã, nesta segunda-feira (26), a mensagem da valorização da identidade negra e do combate à discriminação racial foi propagada por crianças e adolescentes. O encontro resultou de parceria do bloco afro com a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), via Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, que ofereceu orientações sobre violação de direitos nesta área e estratégias de enfrentamento.

“É muito difícil encontrar atividades como essa nas escolas; são poucas as que discutem preconceito, o que é ser negro, e hoje a nossa história foi contada de uma forma tão bonita, singela e envolvente, que precisa ser conhecida pela juventude”, disse Evelyn Mare Araújo, do Colégio Estadual Edgar Santos. Já a estudante da Escola Municipal Malê Debalê, Larissa Santos, disse que valoriza a unidade porque tem aprendido “sobre nós, negros, que meu cabelo ‘é dez’ e que devemos respeitar uns aos outros”.

Para o diretor do bloco afro e doutor em Educação e Contemporaneidade, Carlos Eduardo Carvalho, a história da população negra precisa ser mais conhecida. “As nossas referências de luta sempre ficaram de fora dos livros, por isso a necessidade de introduzir esses elementos nas salas de aula e comunidades, mostrar que o nosso povo não foi acomodado ou submisso, muito pelo contrário, se mobilizou pela igualdade, cidadania e contra toda forma de opressão”, afirmou.

“Temos trabalhado com a questão do racismo e da intolerância religiosa, elevando a autoestima das nossas crianças e adolescentes, com ensinamentos, inclusive, sobre os principais movimentos de libertação da Bahia, como as revoltas dos Búzios e dos Malês”, disse a professora de teatro da Escola Municipal do Malê, Edméia Nascimento. O evento, que contou com a participação de educadores e estudantes da região, faz parte da programação do ‘Agosto da Igualdade’.

Caravana da Igualdade

Segundo o coordenador do Centro de Referência Nelson Mandela, Walmir França, o principal objetivo do projeto é ampliar as ações do equipamento social nas comunidades, facilitando o conhecimento e acesso às políticas públicas de promoção da igualdade racial e de combate ao racismo e à intolerância religiosa.

“Já realizamos atividades semelhantes no afoxé Filhos de Gandhy (Pelourinho) e Ilê Aiyê (Curuzu), chegando ao Malê, não apenas para informar sobre os serviços oferecidos pela unidade às vítimas de racismo e intolerância religiosa, mas valorizar a nossa história e os nossos heróis, que conquistaram a liberdade com muita luta”.

Ele também falou da biblioteca especializada em relações raciais, que funciona na sede do Centro de Referência, na Avenida Sete de Setembro, em Salvador, e que está aberta à população, professores, estudantes e interessados na temática. A atividade também contou com a participação da advogada do equipamento social, Marinalva Lima.