Encontro sobre representatividade da população negra tem ampla participação

01/04/2016
O auditório do Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, órgão vinculado à Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi), ficou pequeno para a quantidade de pessoas interessadas em participar do seminário sobre representatividade da população negra nos espaços de poder nesta sexta-feira (01). O evento contou com a participação de militantes do movimento negro, estudantes e profissionais de diversas áreas.

Estiveram presentes no debate a ex-vereadora Marta Rodrigues, a presidente da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas, Creuza Oliveira, a representante da Secretaria Nacional de Juventude (SNJ), Ângela Guimarães, e a conselheira estadual de Desenvolvimento da Comunidade Negra (segmento de mulheres), Lindinalva de Paula. A mesa foi mediada por Elísia Santos, da Sepromi, e Walmir França, coordenador do equipamento social. Além de promover encontros sobre a temática racial, a unidade apoia vitimas de racismo e intolerância religiosa.

Creuza Oliveira contou, na oportunidade, a trajetória de luta das trabalhadoras domésticas, “muitas vezes submetidas a situações de violação de direitos, em casas que se assemelham aos quartos da senzala, espaço da repressão, onde lixo é jogado, fechadura sempre fica quebrada”. Ela destacou a importância da representatividade da população negra nos espaços de decisão. “Temos que votar em pessoas comprometidas com o combate ao racismo, machismo, sexismo. Não foi fácil ter os nossos direitos; o Congresso não nos representa”.

Para Lindinalva de Paula, o conceito de representatividade deve estar ligado à luta pelas demandas pautadas no cotidiano da população negra. "É necessário carregar a bandeira de nossa ancestralidade”, afirmou. Segundo Ângela Guimarães (SNJ), o racismo “é obstáculo para a plena cidadania”. No evento, ela abordou a ocupação dos negros nos “espaços desprivilegiados na sociedade após a abolição da escravatura”. “Temos um contexto de sub-representação muito aguda da população negra. Em algumas câmeras municipais, assembleias legislativas, não passa de 15%”, informou.

De acordo com Marta Rodrigues, os espaços de poder não se remetem apenas ao executivo e legislativo, mas sindicatos, associação de moradores. A estudante de Serviço Social, Ana Cristina, pretende multiplicar o conhecimento da atividade na sua comunidade. “É importante saber sobre os nossos direitos e adquirir embasamento para lutar pela causa. É um tema que deveria interessar a todos”, disse.