Terreiro Bate Folha comemora centenário com intensa programação

28/11/2016
A emblemática Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, em Salvador, sediou neste domingo (27), a missa comemorativa dos 100 anos do terreiro Manso Banduquenque, mais conhecido como Bate Folha. Autoridades, ativistas do movimento negro, fiéis católicos e membros do candomblé estiveram no ato, que evidenciou a importância da diversidade religiosa, além da preservação da cultura e das religiões afro-brasileiras. A Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) participou das atividades, que foram seguidas de cerimônia no terreiro, localizado no bairro Mata Escura.

Liderança do Manso Banduquenque, o religioso Cícero Lima (Taata Muguanxi), afirmou que o momento é de celebrar a vida e a resistência. "Comemoramos o fruto da nossa luta, do esforço de manter essa tradição com muito carinho. Temos nos dedicado para agregar todas e todos, na diversidade racial, de orientação sexual e ideologias políticas variadas neste grande espaço do candomblé", disse o taata. Além dos eventos deste domingo, um conjunto de atividades integra a programação do centenário, a exemplo de simpósio e sessão especial na Assembleia Legistativa da Bahia, realizada no último dia 24.

A secretária da Sepromi, Fabya Reis, destacou que "o Bate Folha é responsável pela manutenção de um grande legado de resistência e de culto à ancestralidade, tendo perseverado numa trajetória construída desde 1916. Hoje temos esta casa como um dos espaços de candomblé mais antigos do país, referência para o povo de axé". De acordo com ela, as comemorações ocorrem no importante período em que a Bahia integra as ações da Década Internacional Afrodescendente. Na visita ao terreiro a gestora entregou uma placa de homenagem ao Taata Muguanxi pela extensa agenda desenvolvida ao longo no Novembro Negro da Bahia.

O padre Lázaro Muniz, da Igreja do Rosário dos Pretos, falou da importância da acolhida humana e do respeito à diversidade. "Que sigamos na construção de um mundo de amor. Se não nos unirmos enquanto comunidades religiosas, quem irá edificar uma sociedade de justiça? Que possamos assumir o compromisso de lutar por um mundo melhor. A intolerância religiosa atinge assustadoramente as religiões de matriz africana e tem tirado a vida de muita gente", destacou o sacerdote, afirmando, ainda, que a atuação do terreiro "tem promovido o encontro com a fé e a ancestralidade".