Governo segue investindo em projetos realizados por empreendimentos de matriz africana

28/12/2016
Em continuidade ao Edital 001/2014 – de Apoio a Empreendimentos Econômicos Solidários e a Redes de Economia Solidária de Matriz Africana, a Bahia está investindo R$ 8,2 milhões em 34 projetos, beneficiando mais de 100 empreendimentos. Os projetos contemplados na Chamada Pública abrangem diferentes linguagens, presentes nos espaços socioculturais de matriz africana tais como, capoeira, música (samba de roda, reggae, hip-hop, etc), arte, culinária, estética, moda afro, comunidades quilombolas, terreiros de religiosidade afrobrasileira, blocos afros e semelhantes.

Operando numa perspectiva emancipatória, os 34 projetos produzem artesanato, confecção, culinária e plantas medicinais, revelando uma força pulsante da economia solidária, até então invisível nos espaços urbanos. “Apostamos nos núcleos produtivos formados por homens e mulheres negros que produzem com mãos hábeis, adereços, bordados de richelieu, roupas, ferramentas dos orixás, instrumentos musicais, culinária, plantas medicinais, artesanato, entre outras peças”, ressalta o titular da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Álvaro Gomes.

O edital

O Edital 001/2014 – de Apoio a Empreendimentos Econômicos Solidários e a Redes de Economia Solidária de Matriz Africana tem sólido lastro popular. Nasceu da identificação de um imenso potencial produtivo nos espaços de cultos e religiões do candomblé. Das “rodadas de diálogos”, promovidas pela Setre, participaram líderes dos mais diversos segmentos da matriz africana, na capital e interior. “As contribuições resultaram em propostas concretas de natureza material e imaterial, englobando o modo de vida e a memória dos povos que possuem essa origem”, destaca o secretário, acrescentando que, ‘dentro das possibilidades, o Governo da Bahia está resgatando uma dívida social de mais de quatro séculos do estado brasileiro com os afrodescendentes”.

A solução encontrada tem sido aplaudida tanto pelos participantes quanto pelo público em geral, quando conhece os exemplos de produtividade dos núcleos em ações e iniciativas que valorizam aspectos como formas de expressão; modos de criar, fazer e viver; documentos e obras; além de recuperação de espaços referentes à identidade cultural.

Produção cultural

Em setembro passado, a Setre entregou a reforma do Espaço Cultural Vovó Conceição, no Terreiro Casa Branca, na Avenida Vasco da Gama, durante a 14ª Feira de Saúde e também o ateliê de costura do Terreiro Pilão de Prata, no Alto do Caxundé, no bairro da Boca do Rio. Neste mês de dezembro, foi a vez do desfile de modelos vestidos com batas, saias, vestidos e torços, todos com detalhes em bordado de richelieu, durante o encerramento do Projeto Revitalizando a Costura de Forma Decente, na Praça Tereza Batista, no Pelourinho.

As peças foram confeccionadas por 30 mulheres beneficiadas pelo programa, financiado pelo Fundo de Promoção do Trabalho Decente (Funtrad) em projeto executado pela Associação Civil Filhos de Bárbara. “Para um Estado majoritariamente formado por homens e melhores negros, acho que acertamos no alvo”, finaliza o titular da Setre.


Fonte: Ascom/Setre