Técnicos analisam área para criação do parque de proteção ambiental da Pedra de Xangô

28/08/2015
Representantes dos governos estadual e municipal fizeram uma visita técnica, nesta sexta-feira (12), ao entorno da Pedra de Xangô, em Cajazeiras X, acompanhados de adeptos de religiões de matriz africana, para avaliar áreas possíveis de serem aproveitadas na criação de um parque de proteção ambiental do bairro. A sugestão foi levantada durante reuniões articuladas pela Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi), após denúncia de intolerância religiosa contra o monumento, protocolada no Centro Nelson Mandela, para proteção do espaço e respeito à fé dos povos de terreiros.

A ideia é que o local não seja apenas preservado e utilizado para oferendas e rituais, mas também aproveitado para lazer dos moradores. “Cajazeiras demanda um parque. É um bairro com 600 mil pessoas, que precisam se divertir. A unidade pode ter áreas de proteção ambiental e para práticas esportivas e religiosas”, disse José Augusto Saraiva, da Secretaria Cidade Sustentável de Salvador. Ele ressaltou ainda que a nascente existente na região deve ser cuidada. “Segundo o código florestal, toda nascente é Área de Preservação Permanente (APP). Aqui também é bioma mata atlântica, que é protegido por lei federal”.

O próximo passo é a delimitação da área. “Esta visita técnica, que foi um pouco prejudicada pela chuva, vem na sequência das atividades que estamos desenvolvendo no sentido de criar instrumentos e condições para garantir a preservação do monumento e seu entorno. Para delimitar a área do possível parque se faz necessário conhecer os locais disponíveis e ocupados, além de investigar projetos existentes, para avançar em sua definição”, explicou a coordenadora de Políticas para Comunidades Tradicionais da Sepromi, Teresa do Espírito Santo.

Levantamento fundiário

“Estou maravilhada pela trilha que percorremos hoje e por saber que o poder público está começando a fazer algo para desenvolver um parque dentro desta mata, que já é utilizada por jovens, em eventos, e mães de família, que levam seus filhos para conhecer a diversidade de plantas e realizar piqueniques”, falou Mãe Iara de Oxum, ialorixá do Ilê Tomim Kiosésé Ayó.

O técnico da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado (Conder), Hugo Oliveira, disse que o órgão está à disposição para auxiliar nas questões fundiárias relativas ao projeto de criação do parque na região da Pedra de Xangô, que está em área do Estado, conforme já foi identificado.

Também participaram da atividade a pesquisadora Maria Alice e representantes do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), do Partido Popular de Liberdade de Expressão Afro (PPL), do Conselho de Moradores de Cajazeiras, da Associação União do Lote – Cajazeiras XI e adeptos de religiões de matriz africana, como pai Gil, do Ari Bikuára de Uzane.

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