Posse de terras em Prado beneficia famílias majoritariamente negras, diz secretária da Sepromi

04/09/2015

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A Fazenda Colatina, no município de Prado, extremo sul da Bahia, teve emissão de posse oficializada para 272 famílias, beneficiárias da reforma agrária, nesta quinta-feira (30). O Governo Federal investiu R$ 22,7 milhões na compra da terra, favorável para produção de cacau, café, cana de açúcar e fruticultura. Um ato realizado no local contou com as presenças dos ministros do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, da Defesa, Jaques Wagner, da presidenta do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Lúcia Falcón, e do governador Rui Costa, dentre outras autoridades.

A titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Vera Lúcia Barbosa, disse que este é um passo importante para a população que vive da pequena agricultura na Bahia, majoritariamente negra. “São famílias que acamparam, resistiram e estão sobrevivendo. É um avanço para os trabalhadores rurais como um todo”, disse Vera, que também entregou, junto com o governador, uma Casa de Farinha Móvel para a inclusão produtiva de mulheres assentadas.

Márcio Matos, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) afirmou que a reforma agrária precisa ser vista como medida de desenvolvimento e fortalecimento econômico. “Vamos produzir alimentos de qualidade para a mesa dos baianos. Esse é um momento histórico pra nós e um primeiro passo para conquistas que estão por vir”, assinalou.

O governador Rui Costa informou que a meta da sua gestão é contabilizar a marca de 300 hectares destinados à população do campo que vive na região. “Não faltará, da minha parte, esforço para que os assentamentos possam produzir. Vamos apoiar ainda mais a reforma agrária, numa articulação com o governo federal Queremos ter o orgulho de dizer, um dia, que o Assentamento Jaci Rocha é exemplo para o país inteiro”, comentou, também fazendo a entrega de cartões para acesso a crédito rural por parte das famílias assentadas.

Ideais da reforma agrária – Já o ministro Patrus Ananias disse que aqueles que acreditam e defendem a democratização da terra seguem os ideais “de um Brasil da agricultura familiar, da função social da propriedade, com produção de alimentos saudáveis”. “Estamos assumindo dois compromissos com as agricultoras e os agricultores. De concentrarmos nossas energias para assentar, até o final do mandato da presidenta Dilma, todas as famílias acampadas neste país. Além disso, trabalharmos com toda dedicação para fazermos dos assentamentos verdadeiros espaços de agroecologia”, garantiu.

Dona Louriete Santos, 65 anos, mãe de 10 filhos, sempre viveu na zona rural e não escondia a emoção. “A emissão de posse das terras é ‘a maior alegria do mundo’ pra mim e meus companheiros. Abre portas para novas lutas e vitórias. Precisamos de terra para trabalhar e estamos conseguindo”, disse a agricultora, que já cultiva feijão, milho, aipim, andu, melancia, abóbora, além de uma série de produtos para subsistência e comercialização.

No evento em Prado também estiveram presentes o ministro da Defesa, Jaques Wagner, o deputado federal Valmir Assunção, secretário de Desenvolvimento Rural, Gerônimo Rodrigues, prefeitos e vereadores da região, representantes de movimentos de luta pela terra, dentre outras lideranças.