31/08/2016
Com o Salão Nobre lotado nesta terça (30) a Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) realizou a assinatura da Notificação do Tombamento dos documentos da Revolta dos Búzios, com presença do presidente da casa, Marcelo Nilo. O trabalho será coordenado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), da Secretaria de Cultura (SecultBA), responsável pela salvaguarda estadual dos bens culturais baianos. A Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) participou da atividade, destacando a importância da iniciativa para a preservação do legado desta manifestação popular liderada por negros, lembrada ao longo do mês, batizado de Agosto da Igualdade.
“Esta é uma iniciativa histórica para a manutenção dos ideais difundidos por um movimento revolucionário dos mais importantes na história do nosso país e que deixou uma herança importante para as futuras gerações. São lutas seculares pela igualdade racial. Precisamos garantir o merecido reconhecimento às contribuições dos heróis e das heroínas negras que lideraram esta manifestação”, disse a titular da Sepromi, Fabya Reis, ressaltando que a iniciativa acontece no período em que a Bahia agrega um conjunto de ações para a Década Internacional Afrodescendente, declarada pela ONU.
A gestora destacou, ainda, o protagonismo do movimento negro na defesa da memória de Búzios, fundamentais para a propagação das mensagens difundidas em 1798 pelos revoltosos João de Deus, Lucas Dantas, Manuel Faustino, Luis Gonzaga, inscritos no Livro de Aço dos Heróis Nacionais em 2011. Ela lembra, ainda, de outros nomes importantes neste processo histórico como Antônio José, Luis Pires, além das mulheres Luíza Francisca de Araújo, Lucrécia Maria, Domingas Maria do Nascimento e Ana Romana Lopes.
O presidente da Fundação Pedro Calmon (FPC), Zulu Araújo, explicou que um grande acervo está reunido para compor o processo, como os "avisos silenciosos", que propagavam mensagens libertárias à época, bem como "altos da devassa" e sentenças expedidas contra os manifestantes, estas últimas responsáveis pela execução dos mesmos na Praça da Piedade, em Salvador. "São provas documentais da violência da colonização contra o povo negro", disse ele, reforçando que as peças ajudam a compreender como o racismo consolidou-se historicamente no país.
O dirigente do IPAC, João Carlos Oliveira, lembrou que um dos próximos passos é a busca pelo tombamento junto à Unesco, "como parte do trabalho de preservação da história da Bahia". Já a deputada Fabíola Mansur, proponente da ação na Alba, classificou como emblemática a iniciativa de iniciar as discussões na casa legislativa, uma vez que o movimento foi um dos primeiros a propor reformas estruturantes no sistema de representação política do período.
O presidente do bloco afro Olodum, João Jorge Rodrigues, destacou que o momento é importante e que o conjunto da sociedade precisa unir forças para que "as lembranças de Búzios, inclusive sobre o protagonismo negro de homens e mulheres não sejam apagadas na Bahia". Representando o Ilê Aiyê, Osvalrisio Conceição, afirmou que a Revolta dos Búzios é um exemplo de resistência e engrandece a história do Brasil, defendendo "a continuidade da luta pela ascensão do povo negro".
Também participaram do ato o deputado estadual Bira Corôa, presidente da Comissão de Igualdade da Alba, as deputadas Luiza Maia e Maria del Carmem, a diretora do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI/Secult), Arany Santana, o secretário em exercício da Cultura, Cláudio Mello, integrantes do Conselho de Cultura e diversas outras representações do movimento negro, como Malê Debalê e Cortejo Afro.
“Esta é uma iniciativa histórica para a manutenção dos ideais difundidos por um movimento revolucionário dos mais importantes na história do nosso país e que deixou uma herança importante para as futuras gerações. São lutas seculares pela igualdade racial. Precisamos garantir o merecido reconhecimento às contribuições dos heróis e das heroínas negras que lideraram esta manifestação”, disse a titular da Sepromi, Fabya Reis, ressaltando que a iniciativa acontece no período em que a Bahia agrega um conjunto de ações para a Década Internacional Afrodescendente, declarada pela ONU.
A gestora destacou, ainda, o protagonismo do movimento negro na defesa da memória de Búzios, fundamentais para a propagação das mensagens difundidas em 1798 pelos revoltosos João de Deus, Lucas Dantas, Manuel Faustino, Luis Gonzaga, inscritos no Livro de Aço dos Heróis Nacionais em 2011. Ela lembra, ainda, de outros nomes importantes neste processo histórico como Antônio José, Luis Pires, além das mulheres Luíza Francisca de Araújo, Lucrécia Maria, Domingas Maria do Nascimento e Ana Romana Lopes.
O presidente da Fundação Pedro Calmon (FPC), Zulu Araújo, explicou que um grande acervo está reunido para compor o processo, como os "avisos silenciosos", que propagavam mensagens libertárias à época, bem como "altos da devassa" e sentenças expedidas contra os manifestantes, estas últimas responsáveis pela execução dos mesmos na Praça da Piedade, em Salvador. "São provas documentais da violência da colonização contra o povo negro", disse ele, reforçando que as peças ajudam a compreender como o racismo consolidou-se historicamente no país.
O dirigente do IPAC, João Carlos Oliveira, lembrou que um dos próximos passos é a busca pelo tombamento junto à Unesco, "como parte do trabalho de preservação da história da Bahia". Já a deputada Fabíola Mansur, proponente da ação na Alba, classificou como emblemática a iniciativa de iniciar as discussões na casa legislativa, uma vez que o movimento foi um dos primeiros a propor reformas estruturantes no sistema de representação política do período.
O presidente do bloco afro Olodum, João Jorge Rodrigues, destacou que o momento é importante e que o conjunto da sociedade precisa unir forças para que "as lembranças de Búzios, inclusive sobre o protagonismo negro de homens e mulheres não sejam apagadas na Bahia". Representando o Ilê Aiyê, Osvalrisio Conceição, afirmou que a Revolta dos Búzios é um exemplo de resistência e engrandece a história do Brasil, defendendo "a continuidade da luta pela ascensão do povo negro".
Também participaram do ato o deputado estadual Bira Corôa, presidente da Comissão de Igualdade da Alba, as deputadas Luiza Maia e Maria del Carmem, a diretora do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI/Secult), Arany Santana, o secretário em exercício da Cultura, Cláudio Mello, integrantes do Conselho de Cultura e diversas outras representações do movimento negro, como Malê Debalê e Cortejo Afro.