Nova presidenta do CDCN inicia discussões de pautas prioritárias

02/08/2016
O Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra da Bahia (CDCN) realizou mais uma reunião ordinária nesta terça-feira (2), em Salvador, discutindo o fortalecimento do colegiado e das organizações que atuam na área, das políticas de enfrentamento ao racismo, dentre outras pautas.

O encontro foi presidido pela nova presidenta do órgão e secretária da Sepromi, Fabya Reis, contando com a presença de representações dos segmentos de mulheres negras, blocos afro, afoxés, religiões de matriz africana, capoeira, mídia negra, além da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-BA) e secretarias estaduais.

A nova presidenta destacou que os próximos passos serão dados no sentido de potencializar os temas considerados centrais pelo CDCN, bem como sua posição de independência, continuando a linha de gestão da presidenta anterior, Vera Lúcia Barbosa. "Estaremos atentas às demandas da grande diversidade que representamos, com respeito às autonomias e necessidade de construções coletivas. Embora tenhamos avançado nas conquistas dos últimos anos, as políticas de igualdade racial ainda são embrionárias", afirmou Fabya Reis.

Violações - O tema da violência racial também foi discutido na reunião, incluindo o caso do jornalista e conselheiro Eduardo Machado, agredido com sua companheira no bairro Calçada, em Salvador, no mês de junho. O caso está sendo acompanhado pela Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa e pelo Centro de Referência Nelson Mandela, estruturas vinculadas à Sepromi.

Fabya Reis informou que diversos encaminhamentos serão tocados num posicionamento oportuno do CDCN sobre casos envolvendo violações de direito humanos das comunidades negras. "Vamos discutir, de forma mais intensa, a política de acesso à Justiça, de forma que possamos construir estratégias para aperfeiçoar os órgaos e equipamentos públicos já existentes, levantamento de propostas com autonomia, de forma a empoderar ainda mais o CDCN. Tudo isso trabalhando na lógica de uma grande rede, com a representatividade e legitimidade que o colegiado possui", ressaltou.

A vice-presidenta do CDCN, yalorixá Jaciara Ribeiro, afirmou que o órgão buscará agregar as iniciativas desenvolvidas pela proteção aos direitos da população negra. "Trata-se de uma luta pela defesa da vida, contra um problema histórico que é a cultura do racismo e das violências religiosas. Queremos dar musculatura a este trabalho de enfrentamento", disse.

Outras pautas
- Uma série de outras pautas esteve em debate, ainda, na reunião ordinária: calendário de atividades, prioridades de ação para cada período, metodologias de trabalho e estratégias para construção das políticas de promoção da igualdade racial, combate ao racismo e à intolerância religiosa.