Novembro Negro tem edição especial do projeto Mulher com a Palavra

23/11/2016
Para reforçar o empoderamento das mulheres negras e combater o machismo e o preconceito racial, foi realizado na noite desta terça-feira (22), na sala principal do Teatro Castro Alves (TCA), em Salvador, a edição especial do projeto Mulher com a Palavra, promovido pelo governo do Estado, por meio da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), em parceria com a Maré Produções Culturais. Esta edição fez parte da programação do Novembro Negro na Bahia, marcando o início dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres que, no Brasil, ganha mais 5 dias.

"Dedicamos esta edição aos 21 dias de Luta pelo Fim da Violência Contra a Mulher. As mulheres negras sofrem mais com o feminicídio, com a violência. A taxa de assassinato de mulheres brancas é de 2,4 na Bahia. Uma taxa alta. Mas quando a gente olha a taxa de mulheres negras, é de 5,9 assassinadas a cada grupo de 100 mil mulheres. O machismo quando cruza com o racismo produz uma realidade ainda mais brutal", contextualizou a titular da SPM, Olívia Santana. No palco, três artistas negras – a poetisa e atriz Elisa Lucinda, e as cantoras MC Carol e Preta Gil, conduziram as discussões.

Quem também participou do evento foi a titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi), Fabya Reis, que destacou a importância da campanha de ativismo para o fortalecimento da luta das mulheres negras contra o machismo, à discriminação racial e à intolerância religiosa. “Que possamos construir uma sociedade menos preconceituosa e mais igualitária, que valorize e reconheça a contribuição do povo negro no desenvolvimento do Estado, em particular das mulheres negras, que resistem, historicamente, protagonizando movimentos populares pela liberdade e garantia de direitos”.

Para Elisa Lucinda, que além de responder perguntas também fez intervenções poéticas, o sistema machista é mantido por muitas pessoas. "São mulheres que se acabam pelos seus maridos controladores, que medem o comprimento da saia. Confundem o amor com o pensamento de opressão e posse. Elas precisam ficar atentas para achar a força. A mesma força que faz suportar tanto sofrimento é a que pode te tirar dele".

Empoderamento

A cantora Preta Gil, por sua vez, frisou que a melhor maneira de as mulheres se empoderarem é investir nas próprias vocações. "Eu descobri meu dom na arte. Mas toda mulher que consegue encontrar algo que realmente ame de verdade e trabalhe com aquilo, seja cozinhando, num escritório ou como médica. Em qualquer profissão, o mais importante, o que dá mais força pra gente é a plenitude de se fazer o que ama".

Um dos ícones da “Geração Tombamento”, a MC Carol que se autointitula 100% feminista, utiliza o funk para motivar as mulheres que vivem em comunidades carentes a não se deixarem vencer pelo racismo e o machismo. A artista foi além do tema e afirmou que também defende o fim do preconceito contra as pessoas obesas.

Para a estudante do curso de História da Universidade do Estado da Bahia, Katarina Martins, de 18 anos, o projeto Mulher com a Palavra faz com que o público, ao se identificar com as histórias de vida das artistas, se sinta representado. "Ter essas mulheres, aqui é elevar a fala da mulher negra para que todos ouçam e possam realmente debater a situação da mulher negra na sociedade brasileira".

Com informações da Secom