A partir desta terça-feira (18), serão realizadas rondas e paradas por tempo determinado na Pedra de Xangô, em Cajazeiras X, pela Polícia Militar, para garantir a proteção do monumento e segurança dos povos de religiões de matriz africana que frequentam o local. Esta foi uma das medidas emergenciais apresentadas durante reunião na Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), no bairro da Pituba, com a participação de representantes da comunidade e dos poderes públicos estadual e municipal.
“Este encontro renova nossa fé, no sentido de que aquela área agora, de fato, será realmente preservada, não só para os povos de candomblé e Umbanda, mas para toda a cidade”, disse Leonel Monteiro, presidente da Associação Brasileira de Preservação da Cultura Afro Ameríndia (AFA). A entidade solicitou o registro especial de espaços destinados a práticas culturais coletivas ao Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), que será realizado pelo órgão, assim como o tombamento, que ficou como atribuição da Fundação Gregório de Matos (FGM).
Do governo estadual, participaram da reunião, nesta terça, representantes da Sepromi, secretarias da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH) e do Meio Ambiente (Sema), Fundação Pedro Calmon, Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), Polícia Militar (PM) e Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado (Conder). Por parte da prefeitura, estiveram presentes dirigentes da FGM e Secretaria Cidade Sustentável (Secis). O próximo encontro está agendado para o dia 27 próximo, às 14h, na Sepromi.
Mobilização
Conforme o que ficou acordado no último encontro, realizado na sexta-feira (14), o poder público se mobilizará ainda para outras ações imediatas, como iluminação, limpeza e cercamento da área. A Fundação Pedro Calmon também assumiu o compromisso de iniciar o registro de memória da Pedra de Xangô enquanto patrimônio cultural.
Além disso, será criado um fórum permanente de acompanhamento das ações – composto por sociedade civil e governos estadual e municipal – para garantir a proteção do monumento, e com possibilidade dessa experiência ser aplicada em outras áreas do Estado onde houver esses crimes de intolerância religiosa. Outra sugestão foi a criação de um parque de preservação ambiental no local.
Combate à intolerância
A força tarefa para proteção da Pedra de Xangô foi organizada após denúncia de intolerância religiosa referente ao monumento, que foi alvo de pichações, quebra de oferendas e despejo de sal, protocolada na última semana no Centro de Referência Nelson Mandela, que está acompanhando o caso. Segundo o coordenador da unidade, Ivonei Pires, representantes da comunidade serão ouvidos na 13ª Delegacia (Cajazeiras) nesta quinta-feira (20).
