Resistência negra e diversidade estão presentes na Festa da Boa Morte

15/08/2016
A resistência das mulheres negras e a diversidade religiosa são os destaques da Festa de Nossa Senhora da Boa Morte, que segue até a próxima quarta-feira (17), na cidade de Cachoeira, no Recôncavo baiano. O evento, que acontece desde o século XIX, é bastante expressivo no calendário religioso do estado. Nesta segunda-feira (15) a programação foi marcada por missa,
procissão pelas ruas e a tradicional valsa dançada pelas religiosas.

A festividade é realizada pela Irmandade da Boa Morte, uma das maiores organizações religiosas da Bahia. A devoção foi iniciada na Igreja da Barroquinha, em Salvador, sendo transferida para a cidade de Cachoeira por volta de 1820, defendendo, inclusive, o fim da escravidão. De acordo com a tradição a missão é passada para várias gerações, exclusivamente de mulheres negras. Os rituais da festa contam com ampla participação, envolvendo as religiões católica e de matriz africana, autoridades e turistas.

"Temos na Irmandade da Boa Morte um exemplo de fé, resistência e luta pela liberdade das pessoas escravizadas. Fazemos o justo reconhecimento e trabalhamos para a visibilidade destas mulheres negras, que trazem inegáveis contribuições históricas, além de um grande exemplo de resisténcia", disse a secretária da Sepromi, Fabya Reis. Ela destacou, ainda, que as atividades acontecem em pleno período do Agosto da Igualdade, que resgata outras lutas históricas como a Revolta dos Búzios, ocorrida na Bahia.

Continuidade - A Festa da Boa Morte é Patrimônio Imaterial da Bahia desde 2010. Durante os cinco dias de festividades também ocorrem samba de roda e oferta de pratos tradicionais da Bahia, como caruru e cozido. As irmãs vestem-se de vermelho, preto e branco, saindo em procissões, carregando imagens e velas.

"É uma emoção muito grande. Me sinto honrada em dar continuidade ao legado que nossos antepassados nos deixaram", disse a provedora da festa, Nilza Prado, que transfere o cargo para Delecy Jorlanda Freitas, 71 anos, com o desafio de liderar a organização da festa do próximo ano.

Outras autoridades prestigiaram as movimentações de hoje, a exemplo dos secretários Jorge Portugal (Cultura) e Olívia Santana (Políticas para as Mulheres).