
Patrimônio Imaterial da Humanidade, a capoeira não é apenas uma importante manifestação cultural afro-brasileira, mas uma oportunidade de empreender. Basta observar os centros de treinamento na Bahia, que atrai turistas de diversos países, com alojamento, alimentação e tantos outros serviços. Algumas dessas experiências exitosas foram apresentadas, nesta sexta (10), durante seminário no Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, em Salvador.
A atividade foi organizada pelo Emunde – projeto que envolve organizações da sociedade civil para promoção e valorização de pequenos e médios empresários -, e contou com o apoio do equipamento social, que é vinculado à Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi). Além de citar exemplos na área, a representante da Secretaria de Turismo (Setur), Tâmara Azevedo, falou do empreendimento digital ‘Iê Capoeira’, aplicativo que traz informações sobre aulas, eventos e bate papos no segmento.
Em seguida, a presidente da Abam, Rita Santos, mostrou a plataforma digital das baianas de acarajé, recém-criada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Ela falou da importância da manutenção das tradições do ofício e da necessidade do respeito e reconhecimento às baianas de acarajé, que são Patrimônio Imaterial da Bahia e mais de 3 mil apenas em Salvador.
O coordenador do Emunde, Edson Costa, focou nos empreendimentos de povos e comunidades tradicionais, abordando a cadeia produtiva dos terreiros, o que inclui roupas, adereços, bebidas e alimentação, principalmente em épocas de festa. Ele ressaltou também o trabalho em rede, com apoio mútuo, para o crescimento coletivo. “Precisamos pensar em uma economia solidária, comunitária, mas também nos grandes empreendimentos, com atração de investimentos”.
Presente no evento, Janete Santos está desenvolvendo, com apoio do Emunde, a Rede Favela em Camaçari, cadastrando taxistas, vendedores ambulantes, costureiras, entre outros profissionais, para dar uma perspectiva de futuro a partir de orientações e atividades específicas. Já Marilene Miranda, empreendedora negra em dança e artesanato, atua com projetos sociais em comunidades periféricas de Salvador. “O ‘Nelson Mandela’ está sendo um ponto de encontro para dialogarmos sobre o assunto e aprendermos mais”.
Política de Empreendorismo – No final do seminário, o coordenador de Promoção da Igualdade Racial da Sepromi, Sérgio São Bernardo, fez uma apresentação sobre a Política Estadual de Fomento ao Empreendedorismo de Negros e Mulheres, instituída pela Lei 13.208/14. No início desse mês, a Sepromi promoveu um encontro com representantes de instituições da sociedade civil que atuam na área, inclusive o Emunde, para ouvir sugestões e pensar, conjuntamente, estratégias que contribuam para execução da Política. Ele informou, ainda, sobre o edital ‘Agosto da Igualdade’, que tem como novidade este ano a inclusão da categoria ‘empreendedorismo’ e está aberto até 28 de julho.
Sextas Negras – Segundo o coordenador do Centro de Referência Nelson Mandela, Walmir França, o seminário faz parte do projeto sextas negras, por meio do qual são realizados debates sobre questões “ligadas à comunidade negra, sempre com o eixo do combate ao racismo e à intolerância religiosa”, explicou, lembrando que o equipamento social “não é apenas um local de denúncia, mas de reflexão”. Também compareceu ao encontro a coordenadora da Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa, Nairobi Aguiar, estudantes, militantes do movimento negro, capoeiristas, povos de terreiros, indígenas e representantes de outros segmentos.