Aberta oficialmente ontem (23), a Micareta de Feira de Santana já conta com serviços de orientação e denúncias para os casos envolvendo discriminação racial, através de posto instalado no Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, no circuito da festa. A ação é desenvolvida pelo Governo do Estado, em conjunto com órgãos da Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa e parceiros locais.
Na abertura dos trabalhos, o coordenador executivo de Promoção da Igualdade Racial da Sepromi, Sérgio São Bernardo, destacou o pioneirismo da iniciativa na festa micaretesca. “Esta é, acima de tudo, uma ação pedagógica, numa festa grandiosa. Através do nosso serviço, orientamos as pessoas sobre os procedimentos para realização de denúncias nas situações de discriminação racial”, afirmou, explicando que a medida está associada à campanha “Cultura Negra Viva”, que objetiva valorizar as contribuições da comunidade negra para as festas populares e afirmação identitária do segmento.
A representante do Conselho Municipal das Comunidades Negras e Indígenas (COMDECNI), Lourdes Santana, ressaltou a importância do serviço para a festa feirense, caracterizada pela grande circulação de pessoas da região. “Precisamos avançar nas politicas raciais desta natureza. Esperamos que este ‘observatório’ possa resultar em ações que durem o ano inteiro”, disse.
O diretor do departamento de Promoção da Igualdade de Gênero, Igualdade Racial e de Juventude, Gilenaldo Santos, acredita que o arranjo institucional construído tem efetividade e provoca a articulação de novas políticas públicas de diminuição das desigualdades e da violação de direitos. O organismo é vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedeso) do município, que integra, inclusive, o Fórum Estadual de Gestores de Promoção da Igualdade Racial, coordenado pela Sepromi.
Além da unidade montada no Colégio Modelo Luis Eduardo Magalhães, no circuito Maneca Ferreira, as ações possuem característica itinerante, com distribuição de material educativo aos foliões e divulgação das centrais telefônicas associadas, a exemplo do Ligue 162 e do Ligue 156, canais que podem ser acessados gratuitamente, para informações e denúncias. Os trabalhos em Feira de Santana também contam com apoio do Centro de Referência Maria Quitéria, bem como da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), por meio da Pró-Reitoria de Políticas Afirmativas e Assuntos Estudantis (PROPAAE).
