X Caminhada pelo Fim da Intolerância Religiosa é marcada por denúncia, fé e pedidos de paz

08/09/2015

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Fé, resistência e cantos sagrados de reverência aos Inquices, Voduns, Orixás e Caboclos marcaram a X Caminhada pelo Fim da Intolerância Religiosa pela Paz realizada neste sábado, 15 de novembro, por mais de 30 comunidades religiosas de matrizes africanas, sediadas no Engenho Velho da Federação.
Pelo décimo ano consecutivo religiosos das diferentes nações das religiões de matriz africana se encontram no final de linha do bairro, onde fica o busto em homenagem a Doné Ruinhó, uma sacerdotisa que liderou o Terreiro do Bogum para seguir em caminhada pedindo paz, respeito e o fim da intolerância religiosa.

“Esse é um momento único para o povo de candomblé que sai nas ruas pedindo paz para o mundo, para os bairros periféricos, para nossas crianças. Essa caminhada serviu para dizer que não queremos ser tolerados. Estamos aqui no décimo ano com toda força e dificuldades que o povo de candomblé tem para realizar as coisas, mas nós estamos felizes assim como, os orixás, que nesse momento reuni as energias de todas as nações”, disse a ialorixá e uma das organizadoras da caminhada, Valnizia de Ayrá, do Terreiro do Cobre.

Presente na caminhada o secretário de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Raimundo Nascimento, ressaltou que a caminhada é momento de reafirmação do direito a fé de cada cidadão. “Essa caminhada é importante porque ela reafirma o direito ao culto e a fé. Importante também para marcar a luta e o combate à intolerância não só no bairro do Engenho Velho, mas em toda Bahia. A Sepromi tem sido parceira do povo de santo para garantir sua plena liberdade ao culto e também para garantir políticas públicas direcionadas para essas comunidades, que historicamente sofrem com a intolerância”.

Para o reitor da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), José Bites de Carvalho, a participação na caminhada é importante para afirmar o compromisso das instituições públicas com o combate ao preconceito e as desigualdades. “Nossa participação é para reafirmar a luta contra intolerância e o racismo. Estamos aqui marcando o papel da UNEB nessa luta”.

A X Caminhada Pelo Fim da Intolerância Religiosa pela Paz este ano chamou atenção para a força da “família no candomblé, sob as bênçãos dos mais velhos”. Também foi marcada pela presença de religiosos de gerações diferentes, entre crianças, jovens, adultos e mais velhos. ”A caminhada a cada dia tem mobilizado mais pessoas. É lindo ver o encontro das crianças, dos jovens com os mais velhos. Todos vestidos de branco pedindo paz e dizendo não a intolerância e sim a diversidade. Quero enfatizar que o Brasil é um país laico”, disse Rosana Fernandes, representante da Coordenadoria Ecumênica de Serviços (Cese).

Pedra de Xangô

As lideranças religiosas presentes na caminhada denunciaram os crimes de intolerância religiosa que tem ameaçado a Pedra de Xangô, no bairro de Cajazeiras e pediram uma resposta do poder público. O espaço religioso tem sido alvo de manifestações intolerantes e de desrespeito à fé e as religiões de matriz africana. O caso foi denunciado ao poder público estadual e municipal, após sequencia de atos violentos, como o despejo de sal e enxofre, pichação e quebra de oferendas no local.

A comunidade religiosa local está solicitando proteção do santuário Pedra de Xangô, a destinação do espaço para práticas religiosas e segurança imediata. “Eu gostaria muito que o povo de santo desse uma resposta aquele ato contra a Pedra de Xangô. Colocaram sal no nosso altar, nosso santuário. Vamos reenergizar aquela pedra colocando o amalá para Xangô, que é seu prato preferido. Nós somos a força de Xangô. Eu gostaria que todos com seus orixás nos acompanhassem nessa luta, que é de cultuar o nosso orixá e escolher a nossa religião”, declarou Mãe Branca de Xangô, representante dos terreiros de Cajazeiras.