“Esse é um momento único para o povo de candomblé que sai nas ruas pedindo paz para o mundo, para os bairros periféricos, para nossas crianças. Essa caminhada serviu para dizer que não queremos ser tolerados. Estamos aqui no décimo ano com toda força e dificuldades que o povo de candomblé tem para realizar as coisas, mas nós estamos felizes assim como, os orixás, que nesse momento reuni as energias de todas as nações”, disse a ialorixá e uma das organizadoras da caminhada, Valnizia de Ayrá, do Terreiro do Cobre.
Presente na caminhada o secretário de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Raimundo Nascimento, ressaltou que a caminhada é momento de reafirmação do direito a fé de cada cidadão. “Essa caminhada é importante porque ela reafirma o direito ao culto e a fé. Importante também para marcar a luta e o combate à intolerância não só no bairro do Engenho Velho, mas em toda Bahia. A Sepromi tem sido parceira do povo de santo para garantir sua plena liberdade ao culto e também para garantir políticas públicas direcionadas para essas comunidades, que historicamente sofrem com a intolerância”.
Para o reitor da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), José Bites de Carvalho, a participação na caminhada é importante para afirmar o compromisso das instituições públicas com o combate ao preconceito e as desigualdades. “Nossa participação é para reafirmar a luta contra intolerância e o racismo. Estamos aqui marcando o papel da UNEB nessa luta”.
A X Caminhada Pelo Fim da Intolerância Religiosa pela Paz este ano chamou atenção para a força da “família no candomblé, sob as bênçãos dos mais velhos”. Também foi marcada pela presença de religiosos de gerações diferentes, entre crianças, jovens, adultos e mais velhos. ”A caminhada a cada dia tem mobilizado mais pessoas. É lindo ver o encontro das crianças, dos jovens com os mais velhos. Todos vestidos de branco pedindo paz e dizendo não a intolerância e sim a diversidade. Quero enfatizar que o Brasil é um país laico”, disse Rosana Fernandes, representante da Coordenadoria Ecumênica de Serviços (Cese).
Pedra de Xangô
As lideranças religiosas presentes na caminhada denunciaram os crimes de intolerância religiosa que tem ameaçado a Pedra de Xangô, no bairro de Cajazeiras e pediram uma resposta do poder público. O espaço religioso tem sido alvo de manifestações intolerantes e de desrespeito à fé e as religiões de matriz africana. O caso foi denunciado ao poder público estadual e municipal, após sequencia de atos violentos, como o despejo de sal e enxofre, pichação e quebra de oferendas no local.
A comunidade religiosa local está solicitando proteção do santuário Pedra de Xangô, a destinação do espaço para práticas religiosas e segurança imediata. “Eu gostaria muito que o povo de santo desse uma resposta aquele ato contra a Pedra de Xangô. Colocaram sal no nosso altar, nosso santuário. Vamos reenergizar aquela pedra colocando o amalá para Xangô, que é seu prato preferido. Nós somos a força de Xangô. Eu gostaria que todos com seus orixás nos acompanhassem nessa luta, que é de cultuar o nosso orixá e escolher a nossa religião”, declarou Mãe Branca de Xangô, representante dos terreiros de Cajazeiras.
