O fortalecimento de um conjunto de políticas e ações afirmativas para promoção do povo negro no campo do reconhecimento, da justiça e do desenvolvimento foi divulgado neste sábado (17), na Feira Literária Internacional de Cachoeira (Flica), pelo Governo do Estado. As ações fazem parte da Década Internacional Afrodescendente, lançada no evento pela secretária de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Vera Lúcia Barbosa. Representantes de movimentos sociais, ativistas culturais e escritores negros participaram da atividade, realizada no Conjunto do Carmo.
O lançamento antecedeu na abertura da mesa “Diálogos”, composta pelo romancista nigeriano Helon Habila e o baiano José Calos Limeira, como parte da programação que aborda temas ligados às questões étnico-raciais e diversidade religiosa. Para a secretária da Sepromi, a associação da Década com a Flica faz parte do esforço para dar visibilidade e protagonismo à população negra, num município que, segundo ela, “é referencia de resistência negra e de contribuições inegáveis para o processo de independência da Bahia”.
Os compromissos do governo estadual para o período compreendido entre 2015 e 2024 estão expressos aqui, bem como o decreto do governador Rui Costa que garante a adesão à iniciativa, que é coordenada pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Em seguida, a mesa foi iniciada sob mediação da professora da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Maria Anória de Oliveira. O escritor Helon Habila ressaltou as similaridades entre a África e a Bahia. “O Brasil é o segundo país com maior população negra. Na Bahia, me senti em casa, como se estivesse na Nigéria. Temos aqui uma pequena África”, afirmou o Habila. Já o poeta baiano José Carlos Limeira socializou uma parte dos seus textos com o público, arrancando risos e reflexões através de escritos que tratam, de forma irreverente, da realidade da desigualdade social histórica no país.
Também neste sábado, no Espaço Educar para Transformar, a educadora Maria Anória realizou lançamento do livro “Áfricas e diásporas na Literatura Infanto-Juvenil no Brasil e em Moçambique”. Anória, que é doutora em Letras e docente da Uneb, apresenta na obra a análise de três livros infanto-juvenis, sendo dois de autores brasileiros: “Ogum, o rei de muitas faces e outras histórias de orixá”, de Chaib e Rodrigues (2000), “O Espelho Dourado”, de Eloisa Lima (2003) e “Mbila e o Coelho”, editado em Moçambique, de autoria de Rogério Manjate (2007). O trabalho da autora é parte de sua pesquisa realizada no doutorado, contendo ajustes e alterações visando a formação docente em história e cultura afro-brasileira e africana.
Desde a última quinta-feira (15) a Sepromi tem participado da Flica, contribuindo com a inserção da temática étnico-racial na programação. Entre as iniciativas estão lançamentos e divulgação de livros, apresentação de sarau, atividades infantis e musicais. Na noite de hoje, inclusive, o Ilê Aiyê se apresentou em praça pública, no palco oficial do evento, localizado na Praça da Aclamação, em frente à Câmara de Vereadores.