Sepromi participa do 4º Encontro de Lésbicas e Mulheres Bissexuais da Bahia

19/08/2016
A Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) participa do Encontro de Lésbicas e Mulheres Bissexuais da Bahia (Enlésbi), aberto nesta quinta-feira (18), em Salvador. O evento, que está na quarta edição, é realizado pela Liga Brasileira de Lésbicas (LBL), Grupo Amuleto e Fórum Enlésbi, com apoio do Governo do Estado. As atividades são marcadas por momentos de vivência, debate e integração, com a presença de 150 pessoas de diversos territórios baianos.

De acordo com a Amélia Maraux, do Fórum Enlésbi, trata-se de uma oportunidade de fortalecer as lutas contra a discriminação e a violação de direitos contra os segmentos. “Este encontro tem um aspecto fundamental, sem dúvidas. É o debate sobre o racismo e sua relação com as questões de classe e demais discriminações. O racismo institucional, inclusive, é histórico na estrutura do Estado, assim como a homo, lesbo e transfobia”, afirmou, para um público formado, em maioria, por mulheres lésbicas e bissexuais negras e de religiões de matriz africana.

A secretária da Sepromi, Fabya Reis, destacou que um dos principais desafios para as esferas governamentais é, de fato, a incorporação de pautas, demandas e a execução de políticas com a observância das questões de gênero e da diversidade LGBT. “Temos, aqui na Bahia, o Estatuto da Igualdade Racial de Combate à Intolerância Religiosa, para o qual estamos trabalhando na regulamentação do capítulo sobre mulheres negras, trazendo estes temas para o centro das discussões”, disse Reis. Lembrou, ainda, que o planejamento de ações para a Década Internacional Afrodescendente deverá apontar políticas prioritárias a serem executadas até 2024, contemplando mulheres negras lésbicas e bissexuais.

Já o titular da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), Jerônimo Rodrigues, falou da importância da manutenção dos direitos e conquistas dos últimos anos, a favor da diversidade. Ele citou, por exemplo, a primeira titulação de terra da reforma agrária para um casal homoafetivo no país, ocorrida em 2007, passo fundamental para a garantia de condições de vida da população LGBT no meio rural. Iniciativas e avanços como este, segundo ele, precisam gerar reflexões aprofundadas na atualidade. “Este debate acontece num momento importante. É preciso levá-lo ao interior, aos espaços mais diversos possíveis”, frisou.

Também participam do Enlésbi o Núcleo de Estudos de Gênero e Sexualidade da Universidade do Estado da Bahia (Nugsex Diadorim/Uneb), Coletivo Kiu, Instituto Odara, Rede de Mulheres Negras, dentre outras organizações. Além da Sepromi e da SDR, a mobilização conta com apoio das secretarias estaduais de Políticas para as Mulheres (SPM), da Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), Educação (Sec) e Saúde (Sesab).

O evento, que prossegue até o próximo domingo (21), ainda conta com rodas de conversa que abordarão questões como lesbofobia, bifobia, racismo, sexismo, classismo e heteronormatividade, além de políticas públicas para de saúde, educação e mercado de trabalho para os segmentos. Também estão previstas atividades culturais variadas e caminhada na orla da capital.