Dando continuidade ao planejamento de ações para proteção da Pedra de Xangô – monumento sagrado para adeptos de religiões de matriz africana, representantes dos povos de terreiros e poderes públicos estadual e municipal se reuniram, na manhã desta quinta-feira (27), na Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), para acompanhar o andamento das medidas emergenciais e definir os próximos passos. Entre eles, a realização do projeto ‘Memória dos Bairros”, da Fundação Pedro Calmon (FPC), programado para o próximo dia 3 de dezembro, no local. A ideia é possibilitar a convivência de jovens estudantes com esses povos, a partir de histórias e brincadeiras sobre o espaço, para conscientização da preservação do símbolo e respeito à fé das pessoas que cultuam Xangô.
Na ocasião, também foi discutida a composição do fórum de acompanhamento de ações, que incluirá sociedade civil e governos estadual e municipal, não só para Pedra de Xangô, mas com a perspectiva de atuação em outros casos relacionados. Para Mãe Iara de Oxum, da Associação Pássaros das Águas, a abertura desse espaço de diálogo, articulado pela Sepromi, é essencial para comunidade. “Está sendo muito prazeroso saber que os órgãos públicos estão se mobilizando para preservação desse santuário”, disse. Os participantes solicitaram agilidade nas medidas de segurança acordadas, como rondas, iluminação e cercamento, e conheceram a área do espaço que poderá ser aproveitado para criação do parque de proteção ambiental.
Estiveram presentes o secretário estadual de Promoção da Igualdade Racial, Raimundo Nascimento, e representantes da Coordenação de Políticas para Comunidades Tradicionais da Sepromi, do Instituto do Patrimônio Artístico Cultural da Bahia (IPAC), da Fundação Gregório de Matos (FGM), da Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH), da FPC e da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado (Conder). A próxima reunião está marcada para o dia 5 de dezembro, às 10h, no mesmo local.
Combate à intolerância
A força tarefa para proteção da Pedra de Xangô foi organizada após denúncia de intolerância religiosa referente ao monumento, que foi alvo de pichações, quebra de oferendas e despejo de sal, protocolada no Centro de Referência Nelson Mandela, que está acompanhando o caso. Entre outras ações combinadas nas últimas duas reuniões, realizadas nos dias 14 e 18 deste mês, destacam-se ainda o tombamento e registro especial, pela FGM e IPAC, respectivamente, e limpeza da área.
