Pesquisa aponta maior risco de morte de jovens negros do que brancos na Bahia

08/09/2015

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Um jovem negro corre 3,5 vezes mais chance de morrer do que um jovem branco na Bahia, segundo pesquisa realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública a pedido do governo federal e divulgada na Folha de São Paulo nesta segunda-feira (05). Em todo o país, essa proporção é de 2,5.

O estudo calculou taxas de homicídios ponderadas de jovens negros (pretos e pardos), de 12 a 29 anos, a partir de informações de 2012 do Datasus (banco de dados do Sistema Único de Saúde). O estado com maior risco é Paraíba, seguido de Pernambuco e Alagoas.

Dos quase 30 mil jovens assassinados em 2012, 76,5% eram negros ou pardos. Ou seja: morreram 225% mais jovens negros do que brancos. De 2007 a 2012, enquanto o total de homicídios de jovens brancos caiu 5,5%, o de jovens negros subiu 21,3%. A pesquisa deve orientar políticas públicas para a juventude.

Juventude Viva

Coordenado pela Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) e pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), e aderido pelo governo baiano no ano passado, o Plano Juventude Viva é uma das ações do Estado para prevenir e combater à violência contra a juventude negra.

A iniciativa contempla 20 municípios baianos, com ações de ministérios, órgãos estaduais e prefeituras, a partir de oportunidades de inclusão social e autonomia para os jovens entre 15 e 29 anos. As cidades são Simões Filho, Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista, Itabuna, Lauro de Freitas, Porto Seguro, Camaçari, Ilhéus, Teixeira de Freitas, Eunápolis, Valença, Alagoinhas, Juazeiro, Paulo Afonso, Jequié, Santo Antônio de Jesus, Dias d`Ávila, Candeias e Mata de São João.

Em dezembro do ano passado, o comitê gestor estadual do Plano realizou o primeiro seminário de qualificação para gestores municipais ligados ao Juventude Viva. O objetivo foi criar uma rede de diálogo e fornecer os elementos necessários para que os profissionais da área conduzam, da melhor forma, as políticas públicas relacionadas nas suas respectivas cidades.

O grupo responsável é composto pelas secretarias de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Relações Institucionais (Serin) e Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (Sedes), que coordena o programa Pacto Pela Vida. Também integram o grupo o Conselho Estadual de Juventude (Cejuve) e o Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN).

Confira aqui a versão preliminar do Relatório de Vulnerabilidade Juvenil à Violência e Desigualdade 2014

Fonte: Secretaria Nacional de Juventude e Folha de São Paulo
Gráfico: Editoria de Arte/Folhapress

Clique aqui para conferir entrevista com Tricia Calmon, da Coordenação de Promoção da Igualdade Racial, sobre a pesquisa.