Escola Zumbi dos Palmares, em Camaçari, completa cinco anos de resistência

22/02/2016

A convivência pacífica entre pessoas de diferentes religiões, crenças ou etnias é a proposta da Escola Zumbi dos Palmares, que completou cinco anos nesta segunda-feira (22) com festa e entrega de publicações, reunindo professores, estudantes, familiares e lideranças. A unidade fica no Terreiro de Lembá (Camaçari), sendo a primeira da cidade e segunda do estado situada num espaço religioso de matriz africana a partir de convênio com a prefeitura. 

“Apesar de estar num local de candomblé - o que já foi alvo de muita discriminação, mas conseguimos reverter através do amor e práticas cotidianas de acolhimento -, temos a educação laica como base. Munimos as crianças e adolescentes de conhecimento, mas também ensinamos valores para que cresçam respeitando e convivendo com todos”, disse o Táta Ricardo Tavares, diretor da instituição e liderança do Lembá.

Igualdade

Representando a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Ana Placidino, da Coordenação de Políticas para as Comunidades Tradicionais, repassou kits com livros e DVDs sobre quilombos da Bahia, elaborados pelo Ministério da Educação (MEC). “É o primeiro local onde entregamos este material didático por reconhecer o valor e a história dessa escola”.  Na oportunidade, o Coletivo de Entidades Negras (CEN) também doou diversas publicações em inglês.

Para Placidino, a Escola Zumbi dos Palmares é referência na aplicação da Lei 10.639, que determina a introdução de temas ligados à cultura afro-brasileira nas unidades de ensino, bem como no compromisso com a igualdade e combate à intolerância religiosa. Táta também reiterou a importância de ensinar a história do povo negro, “que por muito tempo foi contada de forma estereotipada, pelo olhar do intolerante, racista e opressor”.

Avaliação

Desde o seu primeiro ano de funcionamento, a escola tem obtido notas de destaque na Prova Brasil, avaliação do MEC, com atendimento a 118 estudantes até o 5º ano do ensino fundamental. Ao ouvir comentários positivos sobre a instituição, Elieide de Jesus Ribeiro, decidiu matricular o seu filho de sete anos, oriundo de escola particular. “Ele não sabia quase nada e quando começou a estudar aqui aprendeu tudo muito rápido”, comemorou.

Para Mãe Jaciara Ribeiro, vice-presidente do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN), a unidade é um exemplo de resistência e harmonia. “O diretor é candomblecista e consegue conviver com professores evangélicos, tendo o cuidado de trazer a essência do terreiro, mas respeitando a particularidade do outro”. Também participaram da atividade parlamentares e representantes da secretaria municipal da educação.